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Correio da Manhã

Política
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“PS não teme nem cede a chantagem”

José Sócrates acusou ontem o líder do PSD, Passos Coelho, de introduzir o assunto e a "ameaça" da crise e da instabilidade política para "esconder" o projecto da revisão Constitucional, que, sendo "radical e extremista", "durou apenas três semanas". O líder do PS disse que o PSD quer uma "desforra eleitoral a todo o custo", mas avisa que o seu partido "não teme nem cede a ameaças nem a chantagens".
22 de Agosto de 2010 às 00:30
O líder do PS, José Sócrates, em Mangualde, avisou o PSD de que os socialistas não cedem a chantagens
O líder do PS, José Sócrates, em Mangualde, avisou o PSD de que os socialistas não cedem a chantagens FOTO: Nuno André Ferreira

José Sócrates participou, ontem à noite, numa espécie de pré-rentrée em Mangualde, num comício que juntou 1500 militantes e que serviu, sobretudo, para responder à mensagem que Passos Coelho enviou do Pontal, no último fim--de-semana.

Sócrates aproveitou o momento para, desde logo, dizer que o PS não vai aceitar uma negociação onde, num lado, esteja a aprovação do projecto da revisão Constitucional do PSD e, no outro, um eventual voto favorável ao Orçamento de Estado para 2011. "Não vamos fazer essa negociação, desenganem--se quem acredita nisso", garantiu, apontando depois os quatro grandes defeitos do projecto social-democrata: o despedimento sem justa causa, as alterações no Serviço Nacional de Saúde, na Educação e, afirma Sócrates, o facto de o PSD pretender acabar com "a progressividade no pagamento de impostos". "Este é o projecto mais radical e extremista do ponto de vista ideológico que foi apresentado ao País nos últimos tempos", acusou.

O líder do PS considera que, "numa altura em que a economia do País está a recuperar – cresceu 1,6% no primeiro semestre – e o crescimento do desemprego estabilizou, aquilo de que menos precisa agora é uma crise política". Por isso, acusou a liderança do PSD de ter a tese da "responsabilidade limitada de apenas três meses". "Em Março, aprovou as medidas do PEC, agora está contra. É a política da leviandade", afirmou Sócrates, que utilizou muito a palavra "confiança" para dizer que o País "está no bom caminho".

"AUMENTO ENCAPOTADO DOS IMPOSTOS"

O PSD reagiu às acusações de Sócrates alegando um "problema do primeiro-ministro com a realidade". Paula Teixeira da Cruz, vice--presidente do partido, acusa o Governo de querer fazer um "aumento encapotado dos impostos" através dos cortes nas deduções fiscais e o PSD "não aceita a irresponsabilidade de estagnar completamente a economia".

Os sociais-democratas recusam ainda que tenham lançado uma crise política no País.

SUBIDA DA DESPESA É UM "MAU SERVIÇO"

O líder do PSD, Passos Coelho, afirmou ontem que é o Governo que "está a prestar um mau serviço ao País" ao permitir que a despesa pública chegue ao final de Julho com um crescimento de 6%. "É preocupante que o Governo continue a não combater a despesa inútil e a promover diminuição do défice como estava previsto." "Não podemos ir ao bolso dos portugueses sempre que precisamos de baixar o défice", sublinhou.

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