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Correio da Manhã

Política
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PSD com feridas internas

As acusações de que Marques Mendes interferiu directamente na Câmara de Lisboa, a queda da Comissão Política Concelhia do Porto e as acusações na Distrital de Lisboa desenham um quadro de relações difíceis dentro do PSD.
18 de Novembro de 2006 às 00:00
A demissão de Pedro Duarte aumentou a tensão entre os sociais-democratas
A demissão de Pedro Duarte aumentou a tensão entre os sociais-democratas FOTO: Pedro Catarino
A Concelhia do Porto decidiu apresentar a demissão ontem ao fim da tarde. A renúncia vem na sequência de uma entrevista dada pelo seu líder, o deputado Pedro Duarte, ao ‘JN’, em que criticava o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, admitindo mesmo que, se fosse hoje, não o apoiaria na recandidatura à Câmara do Porto.
“Admito que a entrevista deu azo a uma interpretação de que poderia haver uma rotura entre o partido e a Câmara do Porto e, tendo em conta o contexto, tirei as devidas ilações”, disse ao CM Pedro Duarte. “Continuo a achar que há áreas que não estão devidamente cobertas na acção da Câmara, como a Cultura ou o Porto Capital da Ciência, que estão no programa eleitoral”, diz ainda o deputado social-democrata. “E também continuo a achar que o partido não se pode limitar a ser uma espécie de claque dos seus autarcas, tem de ter exigência crítica. Mas compreendo o contexto e, por isso, decidi demitir-me”, sublinhou ainda, negando quaisquer pressões de Rui Rio. Diz também que não falou com Marques Mendes (que depois da entrevista ligou a Rui Rio a manifestar-lhe solidariedade).
Pedro Duarte não vai recandidatar-se ao cargo. Couto dos Santos, o presidente da Mesa, deverá convocar eleições para o início de Janeiro. Sérgio Vieira ou o anterior líder concelhio, Francisco Ramos, podem ser hipóteses.
Em Lisboa, a acusação a Marques Mendes de interferência directa na gestão da Câmara de Lisboa, feita por Luís Filipe Menezes, obriga também a uma clarificação. Por outro lado, Helena Lopes da Costa fez uma queixa ao Conselho de Jurisdição por “fraudes” na secção de Algés, já depois de Menezes também ter acusado, na sua crónica do CM, na semana passada, secções do partido de recusarem, sem razão, a inscrição de alguns militantes.
RIO DESMENTE MINISTRA
Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto, afirmou ontem que em 2007 vai investir dez vezes mais na Cultura do que o Governo, comparando os dados dos orçamentos do Estado e da autarquia. “O Governo só dedicará 0,43 por cento da sua despesa à Cultura, enquanto a Câmara irá dispensar a esta área 4,8 por cento”, declarou Rio numa conferência de Imprensa para responder às críticas da ministra da Cultura, a quem aconselhou “estudar os números, antes de falar”.
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