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Correio da Manhã

Política
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PSD fica abaixo do resultado de Santana

O PSD ganhou as eleições autárquicas de 9 de Outubro de 2005, apoiou o candidato vencedor das eleições presidenciais em Janeiro deste ano, o seu líder, Marques Mendes, venceu dois congressos e, no entanto, o partido não descola nos estudos de opinião. De acordo com uma sondagem CM/Aximage, o PS obtém 40,9% das intenções de voto e o PSD apenas 28,6%.
17 de Dezembro de 2006 às 00:00
Mendes, ontem no Conselho Nacional, disse que chegou a hora de o PSD decidir se quer fazer oposição
Mendes, ontem no Conselho Nacional, disse que chegou a hora de o PSD decidir se quer fazer oposição FOTO: João Relvas, Lusa
A sondagem, efectuada nos dias 5 a 7 do corrente mês, dá aos sociais-democratas o valor mais baixo de intenção de voto legislativo entre Outubro do ano passado e Dezembro deste ano. Ou seja, um ano e cinco meses. Neste período de tempo, o PSD só subiu nas sondagens nos meses de Outubro, Novembro e Dezembro de 2005, mês em que se aproximou mais do PS (34,9% contra 35,2%). A partir daí foi sempre a descer, até atingir agora os 28,6%. Um valor inferior ao conseguido por Santana Lopes nas eleições legislativa de 20 de Fevereiro de 2005 (28,77%).
Nesta sondagem, os socialistas arrancam o valor mais alto do último ano e meio: 40,5% das intenções de voto, e isto apesar das medidas difíceis do Governo chefiado pelo secretário-geral do PS, José Sócrates. Tal como o PSD, o PS vinha a cair nas sondagens desde Abril. Mas no Verão (em plena época dos fogos florestais) consegue inverter a curva descendente. O PSD, pelo contrário, continuou em queda. A diferença entre os dois partidos do arco da governação é agora de 11,9 pontos percentuais (a diferença entre o PS e o PSD nas Legislativas de 2005 foi de 16,26 pontos percentuais, ou seja, 45,03%, contra 28,77%).
Quanto aos restantes partidos com representação parlamentar, a sondagem revela que a CDU desceu 0,1 pontos percentuais (7,2% em Novembro contra 7,1% este mês), e o CDS-PP subiu de 2,8% para 3% (uma diferença de 0,2 pontos percentuais). Note-se que o partido liderado por Ribeiro e Castro conseguiu nas Legislativas de Outubro do ano passado (ainda Paulo Portas era o líder) 7,2% dos votos. O Bloco de Esquerda (BE) manteve o resultado alcançado em Novembro: 3,9%. Portanto, à frente do CDS-PP.
Quanto à popularidade dos líderes, as posições mantêm-se inalteradas: Francisco Louçã (BE) continua à frente (com uma nota de 11,2), seguindo-se Jerónimo de Sousa, do PCP (10,3), José Sócrates, do PS (10), Marques Mendes, do PSD (7,5) e, finalmente, Ribeiro e Castro, do CDS-PP (7,1). Sobre a popularidade dos ministros, Teixeira dos Santos (Finanças) está em primeiro lugar, com uma nota de 11,7, seguindo-se António Costa (Administração Interna), com 10,9, e Luís Amado (Negócios Estrangeiros), com 10,4. Em último lugar está Maria de Lurdes Rodrigues (Educação), com 8,7, segundo-se Correia de Campos (Saúde), com 8, e Mário Lino (Obras Públicas), com 9,7.
"CHEGOU A HORA DE DECIDIR"
Marques Mendes lançou ontem, durante o Conselho Nacional, em Lisboa, vários avisos ao seu partido e um repto: chegou a hora de o partido decidir a quem deve fazer oposição, “se quer ser oposição ao Governo, ao PS e ao eng. Sócrates ou se quer fazer o jogo do Governo, do PS e do eng. Sócrates”.
Na reunião, onde esteve Luís Filipe Menezes, um dos seus mais assumidos adversários, Mendes enviou o recado: “São legítimas as ambições pessoais e políticas dentro do partido. Isso é uma coisa. Coisa diferente é que a pretexto de tudo isso se façam permanentemente ataques pessoais e políticos para dentro do partido. Quem assim actua está a fazer o jogo do PS, do Governo e do eng. Sócrates.” Para o líder do PSD, a questão é esta: “O partido tem de decidir. Se quer dar tiros nos pés, ou se quer dar combate ao seus adversários políticos.”
ACUSAÇÃO REJEITADA
Luís Filipe Menezes rejeitou ontem a acusação do líder do PSD de que quem critica o partido “faz o jogo” do Governo, retorquindo que Marques Mendes também não “fazia favores” a Guterres quando criticava Durão Barroso. O autarca falava à saída do Conselho Nacional do PSD.
MENDES DIXIT
"No caso da Madeira, tive muitas pressões. Para não ir. Que pagaria um preço alto. Que sofreria fortes ataques políticos e pessoais. Mas eu fui e não me arrependo. Voltaria a fazer."
"Quero que saibam: quando são feitos ataques ao PSD, aos seus dirigentes ou militantes, ainda por cima injustos, o líder do partido não fica de lado nem fica de fora."
"Alguns querem ter espaço assegurado na Comunicação Social? Digam mal de iniciativas do partido. Mas tenham consciência de que o eng. Sócrates esfrega as mãos de contente."
INTENÇÃO DE VOTO LEGISLATIVO (entre Março e Dezembro de 2006)
PS: 37,9% (Março) / 37,8% (Abril) / 37,5% (Maio) / 36,8% (Junho) / 35,9% (Julho) / 36% (Agosto) / 36,6% (Setembro) / 38,2% (Outubro) / 39,4% (Novembro) / 40,9% (Dezembro)
PSD: 34,1% (Março) / 34,2% (Abril) / 32,2% (Maio) / 31,7% (Junho) / 30,2% (Julho) / 29,8% (Agosto) / 29,6% (Setembro) / 29,7% (Outubro) / 29,3% (Novembro) / 28,6% (Dezembro)
DEZEMBRO DE 2006
PS: 40,9%
PSD: 28,6%
CDU: 7,1%
CDS-PP: 3%
BE: 3,9%
AVALIAÇÃO DA ACTUAÇÃO (Nota de 0 a 20
PRESIDENTE DA REPÚBLICA - CAVACO SILVA
Agosto: 14,8
Setembro: 14,6
Outubro: 14,8
Novembro: 14,7
Dezembro: 15,1
MINISTROS MAIS POPULARES
Teixeira dos Santos (Finanças e Administração Pública): 11,4 (Novembro) / 11,7 (Dezembro)
António Costa (Administração Interna): 11,2 (Novembro) / 10,9 (Dezembro)
Luís Amado (Negócios Estrangeiros): 10,5 (Novembro) / 10,4 (Dezembro)
Alberto Costa (Justiça): 10,4 (Novembro) / 10,3 (Dezembro)
MINISTROS MENOS POPULARES
Maria de Lurdes Rodrigues (Educação): 8,6 (Novembro) / 8,7 (Dezembro)
António Correia de Campos (Saúde): 7,8 (Novembro) / 8,0 (Dezembro)
FICHA TÉCNICA DA SONDAGEM
OBJECTIVO: Intenção de voto legislativo, expectativas no Governo, avaliação dos líderes partidários, popularidade dos ministros, avaliação da actuação de Cavaco Silva na Presidência da República
UNIVERSO: Indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal em lares com telefone fixo.
AMOSTRA: Aleatória estratificada (região, habitat sexo, idade, instrução e voto legislativo) polietápica e representativa do universo com 550 entrevistas efectivas, das quais 293 a mulheres
PROPORCIONALIDADE: A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida com reequilibragem amostral
TÉCNICA: Entrevista telefónica CATI (computer assisted telephone interview)
TRABALHO DE CAMPO: O trabalho de campo decorreu entre os dias 5 e 7 de Dezembro de 2006
TAXA DE RESPOSTA: 76,9%. Desvio padrão máximo de 0,021.
RESPONSABILIDADE DO ESTUDO: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz.
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