Sebastião Bugalho considerou que, os dados agora conhecidos, demonstraram a importância das alterações nas leis da imigração já concretizadas pelo executivo PSD/CDS-PP.
O PSD vai pedir a audição parlamentar de ex-governantes socialistas como José Luís Carneiro para apurar se o anterior executivo sabia ou não do aumento populacional tornado público na semana passada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Em conferência de imprensa na sede do partido, o porta-voz e vice-presidente remeteu mais detalhes sobre estas audições para a bancada do PSD, sem esclarecer se o antigo primeiro-ministro António Costa estará ou não entre as personalidades que o partido quer ouvir.
"O Governo então em funções agiu com conhecimento ou sem conhecimento do aumento populacional agora tornado público? Que políticas públicas desse Governo foram projetadas ou condicionadas por esse aumento populacional, fruto da política migratória desregrada desse Governo? Se sabiam, o que fizeram, e se não o fizeram, porque não o fizeram?", perguntou.
Questionado se o PSD vai chamar ao parlamento o atual secretário-geral do PS e antigo ministro da Administração Interna José Luís Carneiro, o eurodeputado e dirigente considerou "natural que seja chamado a esse esclarecimento", apesar de remeter o detalhe e calendarização para o líder parlamentar Hugo Soares.
"O atual secretário-geral do PS tem evidentemente responsabilidades, não só na extinção do SEF, como pelo facto de ter sido titular da pasta da Administração Interna, diretamente relacionada com a política migratória, como até antes em outras funções, como responsabilidade pela rede consular", disse, referindo-se à sua anterior função de secretário de Estado das Comunidades.
Sem clarificar que outros ex-ministros podem ser ouvidos, Bugalho apontou aos "os governantes que tiveram responsabilidades relacionadas com este processo e a ausência de informação sobre a população do país, estrangeira e nacional".
"Os números não nos dizem o que é que foi feito, ou deveria ter sido feito, para proteger os serviços públicos e o Estado português e a coesão social portuguesa do aumento populacional daquela dimensão", disse.
Para o porta-voz do PSD, o facto de a população estrangeira ter passado de 7,1% para 14% entre 2021 e 2025 demonstra uma "relação inequívoca" com a política migratória do anterior Governo PS liderado por António Costa.
"Parece-nos claro que o seu efeito ultrapassa a questão setorial, tendo afetado e camuflado o rendimento 'per capita' então apurado, o mercado da habitação, assim como a capacidade de resposta de serviços públicos fundamentais, como o Serviço Nacional de Saúde e a escola pública", disse, admitindo que esses problemas são "mais difíceis de resolver" por ter havido essa falta de dados fiáveis.
Bugalho considerou ainda que, os dados agora conhecidos, demonstraram a importância das alterações nas leis da imigração já concretizadas pelo executivo PSD/CDS-PP.
Ainda assim, o porta-voz do PSD escusou-se a responder se Portugal tem imigrantes a mais ou a menos, como reclamam alguns setores, frisando que o problema foi de "regras a menos".
"No que depender do PSD, jamais se repetirá um engodo em que o país julga crescer, mas não cresce assim tanto, em que um fenómeno tão impactante quanto um aumento populacional deste tipo ocorre, sem que seja merecedor de atenção política ou sequer de discussão pública. É em nome dessa transparência, de não repetir algo que nunca deveria ter acontecido, que realizaremos as audições parlamentares em breve anunciadas", justificou.
Questionado se também admitiam chamar ao parlamento o antigo primeiro-ministro António Costa -- que teria sempre a prerrogativa de responder por escrito -, o dirigente do PSD respondeu apenas que não fechavam qualquer porta.
Sobre críticas recentes, quer do Chega, quer do PS, ao posicionamento do PSD, o porta-voz do partido repetiu que "o parceiro preferencial são os portugueses" e não qualquer partido político.
Já se será possível compatibilizar o cargo de porta-voz com o de eurodeputado em Bruxelas, Sebastião Bugalho recorreu à ironia para responder afirmativamente.
"Tenho notado que as mesmas pessoas que diziam que eu seria um mau eurodeputado porque estava sempre em Portugal são as mesmas pessoas que dizem que eu vou ser um mau porta-voz porque estou sempre em Bruxelas", afirmou, detalhando que, nos últimos dois anos, percorreu "mais de 73 mil quilómetros" ao serviço do PSD, participou em três campanhas eleitorais e mantém uma taxa de presença no Parlamento Europeu superior a 94%.
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