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Correio da Manhã

Política
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PSD quer programa cautelar por prudência

Maioria mostrou-se cautelosa em relação ao futuro do país.
26 de Fevereiro de 2014 às 16:14
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reunião, troika, partidos, governo FOTO: AFP

O vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Miguel Frasquilho, afirmou esta quarta-feira que o partido transmitiu à 'troika' que prefere uma saída do atual resgate com um "programa cautelar" por razões de prudência, desde que as "condições sejam favoráveis".

Miguel Frasquilho, que falava após uma reunião dos chefes de missão da 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) no Parlamento com os deputados terá confrontado a 'troika' com informações segundo as quais os parceiros europeus teriam imposto à Irlanda condições de tal forma gravosas para que pudesse aceitar um programa cautelar, que isso levou o país a rejeitar essa opção.

Miguel Frasquilho disse ainda que no PSD há espaço para "consensos e também de entendimentos alargados, não só na sociedade portuguesa, mas no espetro político também, nomeadamente com o PS"

PARCEIROS SOCIAIS PROPÕEM REDUÇÃO DA CARGA FISCAL

Os parceiros sociais vão propor à 'troika' uma redução da carga fiscal para famílias e empresas, bem como uma moderação salarial, numa reunião que decorre em sede de concertação social no âmbito da 11ª avaliação ao programa de ajustamento.

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços (CCP), João Vieira Lopes, disse não ter grandes expectativas, pois "normalmente a 'troika' ouve muito e fala pouco".

No entanto, Vieira Lopes afirmou que vai insistir junto dos credores internacionais em "três pontos" fulcrais para o setor do comércio e serviços em Portugal.

"É fundamental baixar a carga fiscal sobre pessoas e empresas para aumentar o consumo. Se houve uma ligeira animação da economia no final do ano deveu-se ao aumento do consumo", afirmou.

Os parceiros sociais manifestaram-se também contra a insistência da 'troika' em reduzir os salários em Portugal e condenaram o comportamento "arrogante" e "autista" dos representantes internacionais.

Estas posições foram assumidas pelas confederações patronais e sindicais após duas horas e meia de reunião com representantes da Comissão Europeia (CE), do Banco Central Europeua (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), no âmbito da 11ª avaliação ao Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) a Portugal.

CDS-PP RECUSA FALAR EM AVISOS DA TROIKA

O CDS-PP diz que a atual previsão de crescimento económico para 2014 já é pessimista e recusa falar em avisos da 'troika' sobre a duração de medidas de austeridade, porque o compromisso "termina daqui a dois meses e meio".

Segundo a deputada Cecília Meireles, o partido "não fecha os olhos a sinais que são consistentemente mais positivos e que progressivamente se fazem sentir na vida, no dia-a-dia e no quotidiano dos portugueses".

BE QUER ENVIAR PARA TC CORRESPONDÊNCIA DO GOVERNO COM TROIKA

O deputado do BE, Luís Fazenda, sublinhou hoje o facto de a 'troika' considerar que os cortes nos salários e outras retribuições em Portugal ainda precisam de "muitos anos".

Luís Fazenda sugeriu mesmo que sejam enviadas ao TC as últimas correspondências entre o executivo da maioria PSD/CDS-PP e a 'troika' "porque há aqui alguém que anda a enganar alguém, acerca das medidas de ajustamento, sua provisoriedade, serem temporárias ou não".

PCP CRITICA POSIÇÃO DA TROIKA

O deputado do PCP Miguel Tiago destacou hoje a convicção da 'troika' de que os cortes nos salários, reformas e pensões terão de manter-se para lá do final do programa de assistência económico-financeira.

"Dizem que aquilo que é necessário é apostar no mesmo caminho. Continuar os cortes. A expressão utilizada até foi 'Portugal não pode relaxar', dando a entender que há algum relaxamento por parte dos portugueses", criticou Miguel Tiago, nos Passos Perdidos do parlamento.

Para Miguel Tiago, "o Governo está a optar por um discurso eleitoralista, que nos faz crer que as pequenas alterações nos indicadores económicos são estruturais e podem libertar o país desta política e isso não é verdade".

CIP QUER FUNDOS PARA APOIAR AS EMPRESAS

O presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, quer saber o que vai ser feito ao dinheiro que não foi usado do fundo para a recapitalização da banca, defendendo que seja destinado às empresas.

O presidente da CIP disse ainda que esta tarde vai "insistir na necessidade de olhar a recapitalização das empresas com a mesma determinação da recapitalização banca". Assim, vai propor que o dinheiro não usado dos 12 mil milhões de euros seja "alocado à criação de um fundo para a recapitalização empresas", sobretudo para as que produzem bens e serviços transacionáveis.

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