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Correio da Manhã

Política
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“PSD tem tiques autoritários”

"Os à partes foram premeditados. Sem ironia e sem ‘fairplay’ não se é um grande político". Quem o diz é Fernando Costa, presidente da Câmara das Caldas da Rainha e o homem que incendiou o Congresso do PSD do último fim-de-semana, com duras críticas à direcção do partido.
16 de Março de 2010 às 00:30
“PSD tem tiques autoritários”
“PSD tem tiques autoritários” FOTO: Sérgio Lemos

Militante do PSD desde 1974, Fernando Costa garante: "Não me arrependo de nada". Ao CM o autarca adiantou que nos últimos dias tem recebido dezenas de mensagens de apoio no telemóvel e no Facebook. O motivo do aplauso, acredita, tem duas razões de ser: "Falei claro e disse o que todos sentem mas têm medo de dizer". A culpa, defende, é "dos jogos entre grupos de interesses".

Mas, para Fernando Costa, a "derrota estrondosa" das últimas Legislativas não pode ser ignorada. "Não foi culpa de uma péssima campanha, mas antes do excesso de confiança e de tiques autoritários", acusa o responsável, na certeza de que nas directas do próximo dia 26 de Março – e com vista a reconquistar o Governo – o PSD tem que eleger "o melhor para o partido mas também o mais capaz para o País". E embora não tenha "contrato" assinado com qualquer dos candidatos à sucessão de Manuela Ferreira Leite, o presidente das Caldas da Rainha acredita que Pedro Passos Coelho é "o mais realista" e, nesse sentido, aquele que tem " melhores condições para ser primeiro-ministro".

PERFIL

35 anos de PSD Fernando Costa, 59 anos, é advogado. Inscreveu-se no PSD a 6 de Maio de 1974, tornando-se o militante 55 do partido. Foi eleito deputado social-democrata logo na primeira legislatura, em 1976, onde permaneceu até 1985. Saiu para liderar a Câmara das Caldas da Rainha, onde se encontra há 24 anos.

NORMA "INCONSTITUCIONAL"

O constitucionalista e deputado do PSD Bacelar Gouveia considerou ontem que a norma que impõe sanções aos militantes do PSD que critiquem a direcção do partido contraria os direitos fundamentais dos militantes e, nesse sentido, pode ser inconstitucional. Ontem, a ‘lei da rolha’ dominou o primeiro dia de campanha para as directas, com Aguiar-Branco a avançar que vai pedir a averiguação da inconstitucionalidade da norma. Já Paulo Rangel afirmou que, caso seja eleito líder, vai propor a revogação da norma no próximo congresso. Também a candidatura de Passos Coelho vai propor uma adenda no congresso de Abril para se poder revogar a polémica norma.

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