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Correio da Manhã

Política
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PT SEM MAIORIA NOS JORNAIS

O primeiro-ministro é favorável a uma redução da participação da PT na Lusomundo Media que detém os jornais ‘Diário de Notícias’, ‘Jornal de Notícias’ e na rádio TSF, entre outros títulos.
24 de Novembro de 2004 às 00:00
Pedro Santana Lopes afirmou, em entrevista à RTP, que “uma diminuição da participação da PT [nos órgãos de Comunicação Social], em que não tenha a maioria do capital, é a solução mais recomendada” para resolver a polémica sobre a influência do Estado na Imprensa.
A PT é uma empresa privada, de investidores nacionais e fundos estrangeiros, frisou Pedro Santana Lopes. Com uma posição de ‘golden share’ no operador de telecomunicações, o Estado tem poder para intervir nas decisões estratégicas da empresa.
A defesa da venda do capital da Lusomundo Media foi o culminar de uma conversa de cerca de 40 minutos centrada nas relações entre o Governo e a Comunicação Social. O primeiro-ministro lamentou a falta de espaço para explicar as medidas do Governo: “O Governo e a oposição têm menos tempo para falar do que quem comenta”. Queixou-se que as televisões só passam 30 segundos do que ele diz. Com esta afirmação, Pedro Santana Lopes deixou entender que depois a Imprensa dá mais relevo às críticas ao Governo, muitas sobre aspectos secundários.
Santana Lopes salientou que o director de um jornal, que foi comentador da RTP, esteve numa manifestação em Belém contra a sua indigitação para primeiro-ministro. O chefe do Governo não revelou o nome do jornalista, mas referia-se ao director do ‘Público’, José Manuel Fernandes.
Em relação ao ‘caso Marcelo’, defendeu que Rui Gomes da Silva não esteve na origem da saída do comentador da TVI, nem sequer o ministro conhece o presidente da Media Capital, Paes do Amaral.
Sobre os media, o primeiro-ministro disse que lê diariamente todos os jornais e anseia “por uma entidade reguladora da Comunicação Social”, tal como há na concorrência e nas telecomunicações. A este propósito, afirmou que a Central de Comunicação é um assunto encerrado. No que diz respeito à coligação com o CDS-PP, diz que ela não está em causa até 2006. E sublinhou que não há motivos para dissolver a Assembleia da República, porque existe uma maioria parlamentar estável.
Pedro Santana Lopes desafiou as personalidades do partido que já exerceram cargos no Governo e no Parlamento, como Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite, a candidatarem-se à presidência de câmaras municipais. E admitiu que Carmona Rodrigues e Rui Rio sejam os candidatos do PSD em Lisboa e no Porto. Disse ainda que o aumento dos salários na função pública e a baixa do IRS eram uma promessa de Durão Barroso.
ALMERINDO ANFITRIÃO
O primeiro-ministro chegou à RTP às 22h05. Exibia um rosto cansado, mas sorridente. O presidente do conselho de administração da RTP recebeu-o, e Santana Lopes dirigiu-se rapidamente para a caracterização. Poucos minutos depois Almerindo Marques acompanhou-o ao estúdio.
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