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Correio da Manhã

Política
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QUEIXA-CRIME PARA SERVIR DE EXEMPLO

Francisco Assis decidiu apresentar queixa-crime contra incertos pelas agressões de que foi alvo na noite de sexta-feira em Felgueiras, para que “sirva de exemplo para o País”.
18 de Maio de 2003 às 01:25
O secretariado do PS quis ouvir os relatos dos incidentes e reiterou a necessidade de eleições antecipadas
O secretariado do PS quis ouvir os relatos dos incidentes e reiterou a necessidade de eleições antecipadas FOTO: Luís Lopes
Ao contrário do que chegou a referir pouco após os incidentes, o líder da distrital do PS do Porto, já não considera que se tratou de um “acto espontâneo” mas antes o resultado de uma manipulação promovida por “um núcleo duro que está próximo da ex-presidente da Câmara”. Por isso, e porque “mais do que punir os autores materiais importa responsabilizar os autores morais”, Francisco Assis vai recorrer aos tribunais.
Ontem, o secretariado nacional do PS enviou ao Porto os dirigentes Paulo Pedroso, José Sócrates e António Costa, a fim de tomar conhecimento dos incidentes e de se solidarizar e identificar com as posições de Francisco Assis. O consenso que se gerou em torno do líder distrital representa o isolamento total dos vereadores independentes eleitos pelo PS à Câmara de Felgueiras e constitui uma indicação clara para que todos os autarcas socialistas abdiquem dos seus mandatos e permitam a realização de eleições antecipadas.
“Nem cheguei a entrar na sede, fui impedido por um cordão de pessoas que me obrigaram a recuar, pelo que entendi que seria melhor abandonar o local”, recordou ontem ao CM, Francisco Assis. “Não confundo as atitudes de meia dúzia de pessoas com a esmagadora maioria dos socialistas de Felgueiras e muito menos com a população do concelho”, acrescentou.
“Quando se muda de posição tão radicalmente como o PS fez relativamente a Felgueiras, é natural que existam consequências, mas o que aconteceu é inqualificável”, afirmou ainda o líder distrital.
Francisco Assis reiterou a sua determinação em regressar brevemente a Felgueiras, “cidade de gente honrada e onde tenho muitos amigos, no PS e em outros partidos”.
REACÇÕES
MOTA AMARAL (PRESIDENTE DA AR):
“Os violentos incidentes verificados em Felgueiras indignam-me profundamente. São sintoma de que a nossa cultura democrática necessita de um constante fortalecimento. O deputado Francisco Assis merece reparação da ofensa e solidariedade activa que lhe presto a título institucional e pessoal.”
MÁRIO SOARES (EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA):
O ex-Presidente da República defendeu a punição dos agressores de Francisco Assis, considerando os insultos e agressões físicas "uma pouca-vergonha" e "um acto deplorável. “As pessoas, levadas por um entusiasmo desagradável, esqueceram-se de que era um deputado”.
MARCO ANTÓNIO (PSD):
O presidente da distrital do Porto do PSD anunciou ontem que os vereadores do PSD na Câmara de Felgueiras vão apresentar amanhã a demissão dos cargos. Marco António disse ainda que o partido mantém a moção de censura agendada para a Assembleia Municipal de amanhã à noite.
PAULO PEDROSO (PS):
"Espero que os deputados municipais do PS na segunda-feira já não sejam deputados municipais do PS", afirmou Pedroso, referindo-se às orientações dadas pelo partido sobre a reunião da Assembleia Municipal de Felgueiras que irá votar a moção de censura do PSD ao executivo camarário.
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