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Secretário-geral do PCP sustentou que os trabalhadores precisam de ser valorizados.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou esta sexta-feira que a derrota do pacote laboral vai ser determinada pela força e unidade dos trabalhadores.
O líder comunista falava à agência Lusa durante uma iniciativa de contacto com os trabalhadores da empresa Hanon Systems, instalada em Palmela, no distrito de Setúbal, uma multinacional que produz sistemas de ar condicionado e aquecimento para veículos automóveis.
Os trabalhadores desta empresa realizaram greves parciais entre abril e maio para exigir aumentos salariais e mais negociação e esta sexta-feira Paulo Raimundo esteve à porta da empresa a contactar com os trabalhadores apelando a que continuem a lutar "pelas suas vidas".
"Os trabalhadores são imprescindíveis. Sem trabalho não há nada, nada funciona e, portanto, se são os imprescindíveis, eles não merecem mais precariedade, merecem mais estabilidade, não merecem mais aperto nos salários, merecem mais salários, não merecem mais falta de respeito nem serem considerados como peças descartáveis", disse Paulo Raimundo.
O secretário-geral do PCP sustentou que os trabalhadores precisam de ser valorizados, solidarizando-se com a luta que têm vindo a desenvolver nesta empresa, e apelou à unidade dos "imprescindíveis" para que continuem a lutar por uma vida melhor e por mais direitos.
"O que vai determinar o desfecho deste processo, a derrota deste pacote laboral, é a força e a unidade dos trabalhadores. Foi assim na outra greve geral, foi assim noutros locais, é assim nesta empresa e vai ser assim no dia 03 de junho também", disse.
Paulo Raimundo adiantou que a Hanon "é um bom exemplo de uma empresa onde tudo aquilo que está projetado no pacote laboral do Governo se aplicaria com bom agrado pela empresa".
"Aumentar a precariedade, além daquela que já existe aqui hoje, atacar os salários, substituir horas extraordinárias pelo trabalho à borla com o banco de horas individual é o sonho de uma empresa destas de laboração contínua, seis dias por semana e quer passar para sete dias", disse.
Estes trabalhadores, frisou, precisam de menos precariedade, questionando que ganho tem uma empresa como a Hanon em ter "constantemente equipas renovadas, gente a entrar e gente a sair, que tem que aprender tudo do zero outra vez".
"Qual é o ganho disso? Zero", respondeu.
Filipe Almeida, delegado sindical, disse em declarações à agência Lusa, que a empresa tem atualmente cerca de 600 trabalhadores, dos quais alguns temporários e outros em inicio de carreira com ordenados muito baixos.
"É por eles que lutamos também", disse o delegado sindical que trabalha na empresa há 30 anos.
A CGTP entregou um pré-aviso de greve geral para 03 de junho contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo.
O Governo aprovou na semana passada em Conselho de Ministros a proposta de lei de revisão da lei laboral, que será discutida no parlamento.
O anúncio foi feito pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, em conferência de imprensa, uma semana depois de o Governo ter dado por terminadas as negociações sobre as alterações à legislação laboral sem acordo na Concertação Social.
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