Raimundo contrapôs que o país precisa de um "sobressalto contra a precariedade" laboral, bem como de um "sobressalto contra a brutal desregulação dos horários de trabalho".
O secretário-geral do PCP disse esta terça-feira que a presença do presidente da CIP nas jornadas da AD "explica tudo" e respondeu aos seus apelos de "sobressalto da nação produtiva" com um pedido de "sobressalto contra a precariedade".
Paulo Raimundo falava aos jornalistas após uma visita à Comissão Unitária de Reformados, Pensionistas e Idosos de São João da Talha, em Loures, sobre as palavras do presidente da CIP, Armindo Monteiro, nas jornadas parlamentares da AD, onde pediu "um sobressalto da nação produtiva" e defendeu que a revisão do Código de Trabalho "não é uma birra" mas uma necessidade.
"Eu nem sabia que o presidente da CIP tinha ido às jornadas parlamentares da AD, mas acho que isso explica muita coisa, explica tudo", começou por dizer o líder comunista.
Raimundo contrapôs que o país precisa de um "sobressalto contra a precariedade" laboral, bem como de um "sobressalto contra a brutal desregulação dos horários de trabalho", pela valorização do trabalho por turnos e pela desigualdade salarial entre homens e mulheres.
"Ontem, um estudo dizia que as mulheres recebem, em média, menos de 250 euros que os homens no trabalho. Quer menos sobressalto do que esse? Isso é que é preciso resolver. Não é agora aumentar a precariedade, não é aumentar a desregulação dos horários de trabalho, não é despedir-se a justa causa. Isso não é um sobressalto, isso é um retrocesso brutal na vida de cada um", atirou.
Questionado sobre se o PCP fica preocupado com a intenção manifestada pelo Governo de insistir na revisão da lei laboral, o líder comunista ironizou: "Que venha. Nem durmo."
Para Raimundo, se o Governo insistir nestas mudanças na legislação do trabalho estará a "escancarar e abrir completamente o buraco da sua derrota social".
"Se quiser a sua derrota social total, insista nisso. E leve consigo o senhor presidente da CIP, que deve ter tido um bom ar condicionado lá nos jornais parlamentares da AD", acrescentou.
No âmbito desta visita, em que esteve em contacto com dezenas de pensionistas, o secretário-geral do PCP defendeu também a necessidade de aumentar permanentemente as pensões, lembrando que os comunistas propuseram a subida em 50 euros no parlamento, mas que a iniciativa foi chumbada com os votos contra dos partidos do Governo e abstenção de PS e Chega.
Raimundo considerou que esse aumento "não resolvia tudo, mas era um sinal importante que se dava", e argumentou que os maiores partidos entenderam que o dinheiro deveria ser salvaguardado para proteger os lucros dos grandes grupos económicos.
Sobre um eventual novo bónus das pensões este ano, que o Governo tem deixado em aberto, o líder comunista reiterou que não é favorável a complementos deste género, que "vêm se o Governo entender" ou se "tiver uma justificação eleitoral para o fazer".
"À partida, não há eleições [este ano], parece que já há mais dificuldades em que haja esse bónus. A diferença entre esse bónus, que é dado hipoteticamente, e as reformas é só essa: as reformas são garantidas todos os meses", sublinhou.
Raimundo acrescentou ainda que o Governo que tem feito depender estes bónus nas pensões dos resultados orçamentais é o mesmo que foi para a Cimeira da NATO de "peitaça feita a dizer que Portugal atingiu os 2%" do PIB de "gastos para a guerra".
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