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Correio da Manhã

Política
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Ralhete a Governo e a deputados

O Presidente da República deu um ralhete à Assembleia da República e ao Executivo por ter sido confrontado com dois diplomas concorrenciais sobre o fim das taxas moderadadoras em situações de internamento e ambulatório. "Considero que não é salutar para a qualidade da nossa democracia", escreveu Cavaco Silva.
24 de Dezembro de 2009 às 00:30
Presidente da República a cumprimentar Teixeira dos Santos, após um breve aperto de mão a José Sócrates
Presidente da República a cumprimentar Teixeira dos Santos, após um breve aperto de mão a José Sócrates FOTO: Sérgio Lemos

Em seu entender, os cidadãos não podem tornar-se 'nas únicas e derradeiras vítimas de dois procedimentos legislativos' por puras razões de concorrência política. O Chefe de Estado vetou o texto aprovado pela Oposição no Parlamento, que revogava as taxas moderadores em serviços de internamento e ambulatório. Promulgou o do Governo a 4 de Dezembro. Cavaco registou que a proposta do Governo apontava o dia 1 de Janeiro de 2010, para a entrada em vigor das novas regras.Já o do Parlamento não determinava datas.

O dia ficou ainda marcado pelo voto de boas festas do Governo em Belém. Do encontro, que durou cerca de cinco minutos, há a registar dois cumprimentos, um primeiro gélido, e um segundo a fechar o encontro. Sem uma única referência à cooperação estratégica, o primeiro-ministro garantiu que a sua equipa 'tem a firme vontade para servir o País'.

FRASES

"Esta decisão fundamenta-se em motivos do Direito e de respeito pelos cidadãos destinatários das normas jurídicas"

"Esta insegurança pode tornar-se, em última linha, nas únicas e derradeiras vítimas de dois procedimentos legislativos, que, por puras razões de concorrência política, correm em paralelo"

Cavaco Silva, Presidente da República

 

PRENDA PARA BELÉM E DEPOIS MINIFÉRIAS

Cumprindo a tradição, o primeiro-ministro foi a Belém apresentar cumprimentos de Natal e, apesar das relações institucionais estarem no pior momento, ofereceu a Cavaco Silva uma caixa de prata com um desenho de um astrolábio. Belém não revelou qual a prenda que o Presidente deu a José Sócrates. Já o Governo ofereceu a Sócrates um trolley de viagem e uma edição especial de ‘Os Lusíadas’. Este terá agradecido, até porque vai de férias a partir 26 de Dezembro, e retribuiu, oferecendo uma agenda moleskine com as iniciais de cada ministro. A ementa foi Cozido à Portuguesa, fugindo à tradição do bacalhau.

SAIBA MAIS

USO DO ASTROLÁBIO

Criado para resolver problemas geométricos, mede a posição dos astros no céu e revelou-se útil como instrumento de navegação.

126 A.C.

foi o ano da morte do grego Hiparco, inventor do astrolábio, aperfeiçoado pelos portugueses no século XV.

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