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Correio da Manhã

Política
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Reforma da saúde e restrições orçamentais são desafios do novo CEMGFA

O novo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) terá entre os principais desafios para o mandato de três anos a conclusão das reformas da estrutura superior de Defesa e da saúde militar, debaixo de fortes restrições orçamentais.
8 de Fevereiro de 2011 às 09:36
O general Luís Araújo será o novo chefe do Estado-Maior General das Forças  Armadas (CEMGFA)
O general Luís Araújo será o novo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) FOTO: d.r.
Até ao final do seu mandato, no início de 2014, o general Luís Araújo, empossado esta terça-feira CEMGFA pelo Presidente da República, terá já concluídas as  reformas da estrutura superior de Defesa decorrentes da Lei da Defesa Nacional  e da Lei Orgânica de Bases da Organização das Forças Armadas, aprovadas  em 2009, prevendo-se que o novo Comando Operacional Conjunto (COC) e as  instituições de ensino superior militar estejam a funcionar plenamente. 

Pela frente, o principal chefe militar terá também a execução da reforma  da saúde militar e do Hospital das Forças Armadas, um 'dossier' complexo  e com vincadas resistências e discordâncias entre ramos iniciado em 2010. 

O antigo CEMGFA general Espírito Santo, que esteve hoje presente na  cerimónia de tomada de posse de Luís Araújo, no Palácio de Belém, considerou,  em declarações à agência Lusa, que a austeridade imposta pelo Programa de  Estabilidade e Crescimento, a par da reforma da saúde, constituem os pontos  mais "difíceis" do mandato do novo chefe militar.  

Gabriel Espírito Santo disse ver com "muita preocupação" a reforma da  saúde militar, citando como exemplo o caso da urgência, na Estrela, onde  disse que ainda não existem médicos nem da Armada, nem da Força Aérea.   

 "Os que lá estão [do Exército] estão a ficar estoirados, estão a trabalhar  sem folgas, com bancos de 24 horas, é preciso empenho dos outros ramos também",  disse o ex-chefe militar manifestando, contudo, esperança na conclusão desta  reforma e apontando Luís Araújo como "uma pessoa de consensos": "É firme  mas é uma pessoa de consensos, com prática e experiência [em lidar] com  os outros ramos".  

Também o almirante Vieira Matias, antigo chefe da Armada, afirmou à  agência Lusa que é necessário existir "inteligência e bom senso" na implementação  do novo Hospital e criticou a "tentativa hegemónica de um ramo sobre os  outros", numa referência implícita ao Exército.  

Matias considerou ainda que o novo CEMGFA tem como "muito grande desafio"  suster o ímpeto dos "poderes políticos para reduzir" e defendeu que a Defesa  tem sido uma das áreas que mais tem contribuído para racionalizar custos. 

O general Espírito Santo assinalou que a revisão da Lei de Programação  Militar (LPM), prevista para este ano, será também uma tarefa onde se vão  reflectir particularmente as restrições orçamentais -- "Será preciso encontrar  prioridades dentro das próprias prioridades que existem".  

Já Vieira Matias disse que o novo CEMGFA deve assegurar que há "recursos  financeiros para a manutenção" de equipamento militar já comprado.   

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