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Correio da Manhã

Política
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RELATÓRIO CONCLUSIVO

A tragédia de Camarate ocorreu há 24 anos, mas só na próxima segunda-feira a comissão de inquérito divulgará um ‘relatório conclusivo e sem margem para dúvidas’ de investigações periciais sobre o que se passou a 4 de Dezembro de 1980 e que vitimou Francisco Sá Carneiro e Amaro da Costa.
4 de Dezembro de 2004 às 00:00
A VIII comissão de inquérito pode mesmo ser a última, uma vez que Nuno Melo, que liderou os trabalhos, assumiu aos jornalistas a sua “satisfação” pelas conclusões transmitidas pelo responsável da comissão multidisciplinar, criada em Maio de 2003.
No CDS-PP houve a convicção de que a queda do Cessna (a aeronave que transportava o então primeiro-ministro e o ministro do Estado e da Defesa ), se deveu a um atentado. Mesmo que hoje Nuno Melo não o assuma, até porque não pode fazê-lo dada a sua ligação à Comissão de Inquérito, ficou clara a sua satisfação pelas ‘poucas informações’ que recolheu junto da Comissão Técnica Multidisciplinar.
O documento final será entregue à Assembleia da República na segunda-feira de manhã e discutido à tarde. “Pelo que me foi transmitido, o relatório dá respostas definitivas sobre o que aconteceu”, garantiu Nuno Melo aos jornalistas, depois de uma reunião conjunta do grupo parlamentar com o PSD. O assunto, foi abordado no encontro, sem que, contudo, tenham sido adiantadas as conclusões.
Para já, o líder parlamentar centrista assume: “a partir de segunda-feira, os portugueses vão ficar muito mais esclarecidos sobre o que se passou do que alguma vez estiveram”. Depois assegurou que o relatório não só apresenta factos novos como é “objectivo e baseado em critérios científicos”. Mas, para evitar confrontos com a oposição, Nuno Melo esclareceu que pretende dar conhecimento, “em primeira mão”, aos parlamentares.
MISSA PELO EX-PRIMEIRO-MINISTRO
Faz hoje 24 anos que o país acordou com a notícia da morte do primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, e do ministro do Estado e da Defesa, Adelino Amaro da Costa. Sá Carneiro e Freitas do Amaral lideravam então a Aliança Democrática (AD) que não voltou a ser reeditada, pelo menos, nos mesmos moldes. PSD e CDS-PP procuram assinalar a data com a realização de missas, caso da distrital social-democrata do Porto, e promover debates como o de ontem à noite em Sintra, da iniciativa do Instituto Francisco Sá Carneiro. Santana Lopes, recorde-se, garantiu no congresso de Barcelos que faria tudo para que houvesse julgamento para os responsáveis, admitindo a tese de atentado. Nuno Melo lembrou ontem, que se esta comissão não se reunisse até ao fim da legislatura (antecipada com o processo de dissolução do Parlamento já iniciado), o trabalho realizado nos últimos três anos “seria perdido”, já que o prazo do seu funcionamento terminaria com a Legislatura.
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