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Correio da Manhã

Política
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Relatório poupa Portugal

O relatório que denuncia a passagem de voos ilegais da CIA por vários países da União Europeia, incluindo Portugal, foi aprovado ontem no Parlamento Europeu (PE) por larga maioria. A resolução crítica os Estados-membros por terem “negligenciado o controlo que devem exercer no seu espaço aéreo e aeroportos, fechando os olhos aos voos operados pela CIA” para o transporte ilegal de prisioneiros.
15 de Fevereiro de 2007 às 00:00
O presidente da comissão sobre os voos da CIA, Carlos Coelho, considerou relatório 'mais justo'
O presidente da comissão sobre os voos da CIA, Carlos Coelho, considerou relatório 'mais justo' FOTO: Thierry Roge / Reuters
Aprovado com 382 votos a favor, 256 contra e 74 abstenções e após um aceso debate, o relatório insta Portugal a investigar possíveis casos de detidos transportados ilegalmente pela secreta norte-americana através dos aeroportos portugueses e saudou a abertura de um inquérito-crime pelo Ministério Público português.
Apesar das críticas, o documento final poupou o Governo de José Socrates e assinalou a sua colaboração com a comissão temporária do PE, presidida pelo eurodeputado português, Carlos Coelho, que considerou a posição do PE “importante e mais justa” para Portugal. Se nas conclusões da comissão se lamentava que Lisboa “não tenha querido” responder a todas as questões levantadas pelos eurodeputados, a versão final do relatório sublinha apenas que as autoridades portuguesas “não o puderam” fazer.
Fora do relatório ficaram ainda dois parágrafos, um que lamentava a recusa dos ex-ministros Paulo Portas e Figueiredo Lopes de falarem à comissão e outro que considerava improvável que o antigo primeiro-ministro e actual presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, desconhecesse as actividades da CIA em Portugal.
O CDS-PP foi o único partido português a votar contra o relatório. Entre 24 eurodeputados portugueses, Ribeiro e Castro e Luís Queiró votaram contra. O líder-democrata cristão considerou a resolução “enviesada” e pouco sustentada, já Luís Queiró numa nota enviada ao CM criticou o “antiamericanismo”.
ANA GOMES ACUSA SÓCRATES
A eurodeputada socialista, Ana Gomes, acusou ontem o Governo de José Sócrates de proteger o executivo PSD/CDS-PP, de Durão Barroso e de Paulo Portas, ao dar orientações aos deputados do PS para a votação do relatório sobre os voos da CIA no Parlamento Europeu.
Em causa está um parágrafo, ontem excluído do relatório final, com uma referência à recusa dos ex-ministros Paulo Portas e Figueiredo Lopes, do governo PSD/CDS-PP chefiado por Durão Barroso, no que diz respeito a falarem perante a comissão temporária, . “É uma demonstração do ‘centrão’ em todo o seu esplendor”, acusou a eurodeputada, após a aprovação do documento.
Mas Ana Gomes foi mais longe nas críticas: “É uma demonstração do ‘centrão’ em todo o seu esplendor, o ‘centrão’ que faz o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros (Luís Amado) ter um adjunto que vinha do gabinete do doutor Paulo Portas a tratar disto, o ‘centrão’ que faz o Governo dar orientações através da REPER para os deputados votarem a favor da supressão da referência, o ‘centrão’ que faz a deputada Edite Estrela recomendar um voto a favor”. As acusações da eurodeputada foram, no entanto, recusadas pela líder da delegação do PS no Parlamento Europeu. “Não recebi nenhuma recomendação do Governo em relação a qualquer tipo de votação”, afirmou Edite Estrela.
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