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Remodelação do governo "não é nova, é um ensaio do próxima"

Duarte Cordeiro era o mais eufórico na cerimónia e deixou escapar o nervosismo: “Que aventura”, sussurrou.

19 de fevereiro de 2019 às 08:45

A cerimónia de tomada de posse dos novos ministros e secretários de Estado do XXI Governo Constitucional arrancou dois minutos depois do agendado. Eram 15h02 e terminou 9 minutos depois. Recheado de rostos jovens do PS, o primeiro-ministro garantiu que este "não é um governo novo", mas será certamente um ensaio para próximo.

O próprio António Costa reconheceu que, com esta quarta remodelação governamental, há um rejuvenescimento numa linha de continuidade. "É a demonstração de que o PS conta com uma nova geração e que não precisa de repetir as mesmas caras eleições após eleições, mandato após mandato."

E entre os novos governantes que tomaram posse, Duarte Cordeiro, secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro e dos Assuntos Parlamentares, era o mais eufórico. Mostrou-se bastante animado e não conseguiu esconder o entusiasmo: "Que aventura!", desabafou durante os cumprimentos.

À passagem de André Silva, do PAN, Duarte Cordeiro fez um comentário curioso. "Espero que me tratem tão bem como o trataram a ele", pediu, apontando para Pedro Nuno Santos, que deixa os Assuntos Parlamentares para liderar o Ministério das Infraestruturas e Habitação. Mariana Vieira da Silva, nova ministra da Presidência, e Nelson de Souza, que assume o Planeamento, estiveram mais comedidos.

Antes de abandonar a sala dos Embaixadores, António Costa deu abraços prolongados a Pedro Marques e a Maria Manuel Leitão Marques, os dois ministros que motivaram a remodelação por estarem de saída para Estrasburgo. Pedro Marques é o cabeça de lista do PS às Europeias e Maria Manuel Leitão Marques a número dois.

Crítico sobre as mexidas no elenco governativo foi Rui Rio, líder do PSD. Alertou para um certo "afunilamento" no Conselho de Ministros, onde "pela primeira vez na história de Portugal, senta-se marido e mulher e agora pai e filha".

Socióloga discreta e confidente do primeiro-ministro

Tem sido uma aposta de António Costa. É socióloga e tem um doutoramento em Políticas Públicas pelo ISCTE. Fez parte da organização do Fórum das Políticas Públicas, onde ganhou visibilidade. Trabalhou como assessora da ministra Maria de Lurdes Rodrigues na Educação e foi adjunta de José Almeida Ribeiro no segundo governo de Sócrates. Pratica natação e é confidente do primeiro-ministro. Há quem lhe chame o ‘xanax’ de Costa.

O ‘senhor fundos europeus’ ganha asas para voar

Foi o governante mais velho que esta segunda-feira tomou posse. Aos 64 anos, é conhecido como o ‘senhor fundos europeus’ e ganha agora margem de manobra ao chegar a ministro. Tal como António Costa, tem ligações familiares à Índia, tendo nascido em Goa. Especialista em contas, foi gestor do programa Compete, dirigente do IAPMEI e membro da AIP. Ao lado de Costa na Câmara de Lisboa foi também diretor municipal das Finanças.

Social-democrata que quer chegar a primeiro-ministro

Natural de São João da Madeira, começa aos 42 anos a cumprir um sonho de poder. Sobe a ministro com ambições de chegar mais longe. Milita no PS desde os 14 anos, foi líder da JS e presidente da federação de Aveiro por sete anos. Aí, ganhou peso e respeito, inaugurando um estilo que alguns apelidam de ‘pedronunismo’. O jovem turco do PS é casado e tem um filho. Diz-se social-democrata e quer chegar a primeiro-ministro.

PORMENORES

Alterações

Além das quatro remodelações de ministros, o Governo foi ainda forçado a mudar secretários de Estado em duas outras ocasiões. Houve seis alterações no elenco de governantes.

Primeiro caso

As viagens ao Euro 2016 à conta da Galp ditaram a saída de três secretários de Estado, entre eles Fernando Rocha Andrade.

Caso Raríssimas

Os contornos do caso Raríssimas também forçaram a demissão do secretário de Estado da Saúde Manuel Delgado.

Duarte Cordeiro

Sec. de Est. Adjunto do PM e assuntos parlamentares

É da ala mais à esquerda do PS. Chega ao Governo aos 40 anos. É casado e pai de dois rapazes. Era até aqui vice-presidente da Câmara de Lisboa e dirigiu a campanha para as legislativas de António Costa em 2015, bem como a campanha presidencial de Sampaio da Nóvoa. Foi líder da JS, tendo sucedido a Pedro Nuno Santos.

Alberto Souto 

Sec. de Estado Adjunto e das Comunicações

Tem 60 anos e é licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra. É natural de Aveiro, o mesmo distrito a que pertence o ministro que o convidou. Foi presidente da Câmara de Aveiro depois de, historicamente, ter derrotado o CDS. Passou pela Anacom e presidiu à Fundiestamo. Era agora administrador não executivo da CGD.

Jorge Delgado

Secretário de estado das infraestruturas

Jorge Delgado, de 52 anos, é engenheiro civil doutorado pela Universidade do Porto. Desde 1995 que dava aulas como professor-adjunto da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Minhoto de nascença, é natural de Meadela (Viana do Castelo). Estava na presidência da Metro do Porto.

Maria do Céu Albuquerque

Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional

Tem 49 anos e é licenciada em Bioquímica pela Universidade de Coimbra. Começou o percurso profissional como bolseira do Instituto Pedro Nunes. Esteve na empresa municipal A. Logos e presidiu ao Parque Tecnológico do Vale do Tejo. Foi eleita presidente de Câmara em Abrantes em 2009 e cumpria o terceiro mandato.

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