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Correio da Manhã

Política
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Remodelação pós-presidenciais

O primeiro-ministro, José Sócrates, remete uma eventual remodelação governamental só para depois das presidenciais, segundo apurou ontem o CM junto de fontes governamentais e do PS.
11 de Outubro de 2005 às 00:00
Em resposta a crescentes rumores, nos últimos dias, de uma eventual remodelação governamental, em particular nas pastas da Cultura (Isabel Pires de Lima), da Economia (Manuel Pinho) e uma mudança de ministérios por parte de Luís Amado, actual titular da Defesa Nacional, fontes desses ministérios negaram desconhecer a possibilidade.
De igual modo, Marcos Perestrello, membro da Comissão Permanente do PS, garantiu ao PS que “o primeiro-ministro faz uma boa avaliação da prestação do Governo”, não se colocando por isso a questão da remodelação governamental.
Um cenário que, esclarece, “não poderia ser falado no partido”, sem o seu conhecimento. No que foi confirmado pelo assessor de Imprensa de José Sócrates, que disse ao CM ser “falso, infundado e especulativo” o rumor da remodelação.
A verificar-se nos tempos mais próximos, a remodelação governamental desmentiria as sucessivas declarações do primeiro-ministro e secretário-geral do PS de que “os resultados das autárquicas não têm leitura nacional” e de que não estava em causa “a avaliação da acção do Governo”.
Daí que várias fontes próximas do Governo, solicitando o anonimato, defenderam que “uma eventual remodelação nunca deverá acontecer antes das presidenciais”, isto porque, entendem, além de transmitir a ideia de “dar o dito pelo não dito” (no caso da leitura nacional da autárquicas), “vem aí o Orçamento de Estado”, quando o Governo precisa de estar coeso e os ministros conhecedores dos respectivos dossiês e pastas.
Confrontados pelo CM com a eventual antecipação da remodelação para antes das presidenciais, e consequente conquista de ‘novo élan’, as mesmas fontes consideram que “isso seria dar uma imagem de fragilidade”, contraproducente para a obtenção de um bom resultado nas eleições.
Já Cavaco Silva, que também sofreu uma derrota autárquica, em 1989, quando governava com maioria absoluta, esperou cerca de um mês após essa derrota autárquica, em Dezembro, para proceder a uma remodelação a dois tempos (dias 5 e 9) em Janeiro de 1990.
Tal como José Sócrates, o então primeiro-ministro recusou sempre uma “leitura nacional” das eleições locais, o que de resto veio a confirmar-se com a obtenção da segunda maioria absoluta, em 1991, dois anos depois da derrota autárquica.
'VITÓRIA INATACÁVEL' DIZ PSD
A direcção do PSD, liderada por Marques Mendes, deixou ontem um sério aviso à oposição interna do partido. O secretário-geral, Miguel Macedo, congratulou-se com a “vitória inatacável” dos sociais-democratas e fez um discurso de serenidade em relação às eleições presidenciais. “Cada coisa a seu tempo”, sintetizou o dirigente, citado pela Lusa, depois da reunião da Comissão Permanente.
Insistindo sempre na tónica de que o PSD está “a reganhar a confiança dos portugueses”, Macedo anunciou ainda que o partido reúne-se hoje em comissão política e quinta-feira terá o seu conselho nacional. Quanto à relação com o CDS-PP, esta será autónoma mesmo que o processo de coligações tenha sido muito positivo (passaram de 16 para 20). “Não há qualquer ilação a retirar” daí, referiu ao CM uma fonte da direcção do partido.
RIBEIRO E CASTRO DEVE CUMPRIR MANDATO
“Não seria justo estar a procurar fazer da direcção do CDS e do seu presidente o único bode expiatório”. A frase é de António Pires de Lima, ex-vice-presidente do partido e um dos seus opositores no último congresso. Que defende o cumprimento de mandato de Ribeiro e Castro (até 2007). O antigo número dois de Paulo Portas lembrou, contudo, que “não era previsível que o CDS pudesse baixar ainda mais face ao que aconteceu há quatro anos” e insistiu que o rescaldo dos resultados não pode ser feito à luz das coligações.
Para alguns elementos do partido “não é razoável” fazer o discurso de meia vitória por parte da direcção quando o CDS passou de três presidências de câmara para uma. Por isso, um conselho nacional impõe-se para discutir resultados. A direcção fará esta semana o rescaldo dos resultados e não se deverá opor, em princípio, à convocação de um conselho nacional. Na noite eleitoral, Telmo Correia sublinhou: “Pessoas como eu dirão o que têm a dizer no momento próprio”, antevendo-se a contestação interna.
DEMISSÕES NO CDS-PP
O presidente da Comissão Política Concelhia do CDS-PP do Bombarral, Luís Montez, anunciou ontem a demissão do cargo, na sequência da derrota autárquica da candidatura apoiada por este partido naquele concelho do Sul do distrito de Leiria.
O CDS-PP apresentou como candidato o independente Albuquerque Álvaro, até agora presidente da Câmara do Bombarral eleito pelo PSD, que entrou em ruptura com o partido há alguns meses.
O CDS-PP não conseguiu eleger qualquer elemento para o executivo autárquico do Bombarral, que continua a ser liderado pelo PSD, agora através de Luís Camilo Duarte.
IMPEDIDO DE VOTAR
José António Rôlo assessor de 93 anos, dirigiu-se anteontem à mesa de eleições de Castelo de Vide para exercer o seu direito de voto, mas, para sua grande surpresa, não o pôde fazer por ter sido dado como morto há dois anos. Contactada pelo CM, a família de José Rôlo mostrou-se estupefacta com o sucedido e não consegue explicar, nem compreender como José Rôlo pode aparecer como morto.
No local, os membros das mesas solicitaram a José Rôlo para se dirigir à Junta de Freguesia com o seu bilhete de indentidade para regularizar a situação.
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