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Correio da Manhã

Política
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RESERVA SINDICALISTA

As eleições presidenciais de 2006 há muito que já fazem mexer os partidos da direita, mas a esquerda também tem os seus tabus, e não é só o de António Guterres. No PCP, por exemplo, coloca-se entre as possibilidades o nome do líder da CGTP, Carvalho da Silva. Há quem diga que seria "um bom candidato" a Belém, ainda que Carvalho da Silva já tenha afirmado que a corrida a cargos políticos não o preocupava.
4 de Janeiro de 2004 às 00:00
Carvalho da Silva, uma esperança do Partido Comunista Português
Carvalho da Silva, uma esperança do Partido Comunista Português FOTO: Arquivo CM
Há muito que se discute o futuro do dirigente sindical Carvalho da Silva. E é sem dúvida um possível candidato à liderança comunista no próximo congresso, sobretudo depois de Carlos Carvalhas ter criado um tabu sobre a sua recandidatura.
Numa entrevista recente, o sindicalista afirmou que "enquanto seres humanos, não devemos prescindir de nenhum dos nossos direitos". Ou seja, não descartou qualquer cenário, apesar da leitura de um possível avanço para secretário-geral do PCP ter sido óbvia, dado que as suas palavras coincidiram com o tabu de Carvalhas. Por outro lado, há quem lembre que antes de suceder a Álvaro Cunhal, o homem que lidera há onze anos o PCP também foi candidato a Presidente da República, em 1991.
Os comunistas não se pronunciaram sobre a corrida presidencial nem deverão fazê-lo tão cedo. O calendário político interno é vasto e as eleições presidenciais ainda vêm longe.
Seja como for, no final de Novembro se verá o futuro de Carlos Carvalhas e... de Carvalho da Silva. Já há algum tempo que o actual líder do PCP é apontado como cabeça de lista às europeias, o que, para alguns renovadores comunistas é entendido como um 'balão de ensaio' à sua continuidade na liderança. Um bom resultado eleitoral na Europa serviria para legitimar a sua manutenção à frente dos destinos do Partido Comunista. E na política, os tabus, normalmente, redundam em ... recandidaturas.
Uma coisa é certa: 2004 será decisivo para clarificar as águas no seio dos comunistas e vislumbrar ou não um futuro fora do sindicalismo a Carvalho da Silva.
Na corrida presidencial, a direita não terá tarefa fácil. Com o CDS-PP a preferir Santana Lopes, o PSD está prestes a abraçar uma luta entre o autarca de Lisboa e Cavaco Silva, o que dará grandes 'dores de cabeça' a Durão Barroso. Já o PS parece não ter outra escolha que não António Guterres. Há quem já fale que é o candidato natural, apesar do Bloco ter admitido avançar com candidato próprio se Guterres concorrer.
De facto, o candidato do BE é aguardado com expectativa, apesar alguns apoiantes de Guterres considerarem que o mais importante "é a segunda volta eleitoral", altura em que esquerda terá de reunir em torno de um nome. Isto é, assumem que o ex-primeiro-ministro é candidato. Porém, António Guterres prefere dedicar-se à Internacional Socialista e opta por uma estratégia de total discrição nos próximos meses.
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