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Correio da Manhã

Política

Risco de instabilidade

Mário Soares acenou ontem com o perigo de algum revanchismo da direita, caso Cavaco Silva ganhe as eleições presidenciais em Janeiro de 2006, dado que isso poderá levar à queda do Governo socialista.
3 de Novembro de 2005 às 00:00
Mário Soares abriu ontem uma série de entrevistas na TVI
Mário Soares abriu ontem uma série de entrevistas na TVI FOTO: João Abreu Miranda/Lusa
Na sua primeira entrevista, concedida à TVI, o ex-Chefe de Estado assumiu que existe esse risco e tentou explorar o perfil “curto” do seu adversário para ocupar o lugar em Belém. Cavaco, segundo Soares, tem mesmo uma “concepção de democracia pouco estruturada”. Mais, acusou-o também de ser o “pai do monstro” (défice orçamental), e de só ter governado “em tempo de vacas gordas”, com fundos comunitários.
“Acho que existe. Acho sinceramente que existe [o perigo do Governo não cumprir mandato]”, afirmou o candidato apoiado pelo PS, ao referir a necessidade de se manter o actual regime semipresidencialista. Soares atribuiu ainda a Cavaco Silva, “o seu único adversário”, um perfil pouco adequado ao cargo de Presidente da República. “O dr. Cavaco Silva tem uma concepção de democracia intermitente, que é muito pouco estruturada”, frisou, classificando-o mesmo de “político intermitente” que se resguardou nos silêncios.
“Para lá da Economia, o que é que ele [Cavaco] tem mais? Basta só a Economia?”, questionou Soares numa entrevista onde procurou também revelar um pouco do passado. E lembrou que tinha conversas “muito limitadas a um sector” com o então primeiro-ministro quando estava em Belém.
Soares voltou a garantir que não se recandidataria contra o partido, ao contrário de Manuel Alegre. Convencido de que vai ganhar, defendeu: “Para ser eleito, basta-me a esquerda e o centro esquerda”. Quanto à idade, aludiu aos anos do Papa, mas reconheceu que as pessoas podem ter dificuldades em aceitar a situação. Talvez por isso, tenha sentido necessidade de assegurar que está muito bem de saúde. Por fim, classificou José Sócrates “de anti-Guterres” e do Orçamento ser “o possível”.
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