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Correio da Manhã

Política
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Rui Pedro Soares foi indicado por Zeinal Bava (ACTUALIZADA)

Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing e membro do conselho de administração da PT, disse hoje na audição da Comissão de Inquérito que foi Zeinal Bava quem indicou o nome de Rui Pedro Soares para administrador executivo da PT.
30 de Abril de 2010 às 16:02
Rui Pedro Soares
Rui Pedro Soares FOTO: Mariline Alves

“Por aquilo que conheço, depois de uma reunião com Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, foi por sugestão (integração de Rui Pedro Soares na Comissão Executiva da PT) de Zeinal Bava. Foi aquilo que me foi dito a mim. Como a maior parte, senão a totalidade dos membros que estão lá. A escolha final cabe sempre ao presidente da Comissão Executiva (Zeinal Bava). Ele é o chefe de equipa”.

Sobre a elaboração da lista para o Conselho de Administração, Nuno Vasconcellos referiu que esta foi elaborada por Henrique Granadeiro. O presidente da Ongoing admitiu ainda que grandes acciniostas como CGD, BES e Ongoing são ouvidos para a elaboração dessa lista. “É natural que pessoas falem, troquem ideias sobre nomes em conjunto com o presidnete da comissão executiva e com o presidente do conselho de administração”.

"POR MIM NEGÓCIO NÃO TERIA ACABADO"

Nuno Vasconcellos diz que a compra de partE da TVI “era um bom  negócio para a PT” e que por ele “não teria acabado”. O presidente da Ongoing referiu ainda que soube do negócio, oficialmente, na reunião de conselho de administração de 25 de Junho de 2009.

No entanto, por várias vezes ouviu rumores sobre o assunto. As duas primeiras vezes, “seis, sete meses antes de 25 de Junho”, contactou Zeinal Bava que desmintiu as negociações. À terceira, e porque os rumores eram mais fortes, contactou Henrique Granadeiro. Numa conversa telefónica, feita no Domingo, dia 21 de Junho às12h23, o presidente do conselho de administração da PT disse que “não sabia de nada”.

De recordar que Henrique Granadeiro disse na Comissão de Ética que teve conhecimento das negociações nesse mesmo dia, depois de ter sido informado por Zeinal Bava.

Nuno Vasconcellos disse ainda que nunca teve conhecimento das negociações do Taguspark com vista à compra de uma posição na TVI.

NEGÓCIO MORREU POR INTERFERÊNCIAS EXTERNAS

Para Nuno Vasconcellos foram interferências externas que levaram a que a realização do negócio entre a PT e a TVI não acontecesse por este deixar de ser oportuno.

“Claro que houve interferências externas”, disse o presidente da Ongoing, referindo a intervenção do Presidente da República, as notícias publicadas e a discussão política na Assembleia da República. Factores que “não ajudaram a criar situação para que negócio pudesse avançar”.

Nuno Vasconcellos disse ainda que não tem nenhuma informação que sustente que o Governo estava a par das negociações, acrescentando que tem a “impressão que [o executivo] não” sabia.

Na reunião da administração da PT, de 25 de Junho, disse ainda que ficou com a “sensação que o negócio não tinha pernas para avançar naquela altura”.

“Não gosto quando a política se envolve nos negócios privados e quando factores externos influenciam empresa a fazer isto ou aquilo”, disse, acrescentando que a “decisão de Henrique Granadeiro e de Zeinal Bava foi a mais sensata”.
 

"LEMBRO-ME DE ELE FALAR SOBRE CONTEÚDOS DE FUTEBOL"

Questionado sobre a participação de Rui Pedro Soares nas reuniões da administração da PT, Nuno Vasconcellos disse que o administrador chegou a falar, mas sobre conteúdos de futebol.

“Lembro-me de ter dado indicações sobre conteúdos relacionados com futebol”, disse, acrescentado ser possível que Rui Pedro Soares possa também ter “dado informações sobre a compra da RETI [rede de difusão da Media Capital] ou eventualmente alguma negociação que possa ter opcorrido com o grupo Impresa. Mas normalmente quem fala sobre esse tema é o engenheiro Zeinal Bava”.

O presidente da Ongoing disse ainda que os membros do conselho de administração não foram informados sobre quem tinha participado na negociação com a Prisa. Da mesma maneira, afirmou que não teve conhecimento da conversa “nem que ela ia a acontecer” que Zeinal Bava e Henrique Granadeiro  tiveram na manhã de 26 de Junho com Mário Lino, quando o antigo ministro comunicou à PT que era contra o negócio.

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