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Correio da Manhã

Política
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Rui Rio em entrevista ao CM: "Não seria ajustado chamar caso das golas à campanha”

Presidente do PSD recusa comentar demissão no Governo junto às eleições e nega ter alinhado com a esquerda na Educação.
Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) e Diana Ramos 20 de Setembro de 2019 às 01:30
Rui Rio, líder do PSD, e Octávio Ribeiro, diretor-geral do CM e da CMTV
Rui Rio com José Silvano, secretário-geral do PSD, e Carlos Rodrigues, diretor-executivo do CM e da CMTV
Rui Rio
Rui Rio, líder do PSD, e Octávio Ribeiro, diretor-geral do CM e da CMTV
Rui Rio com José Silvano, secretário-geral do PSD, e Carlos Rodrigues, diretor-executivo do CM e da CMTV
Rui Rio
Rui Rio, líder do PSD, e Octávio Ribeiro, diretor-geral do CM e da CMTV
Rui Rio com José Silvano, secretário-geral do PSD, e Carlos Rodrigues, diretor-executivo do CM e da CMTV
Rui Rio
Recusa usar a demissão do secretário de Estado da Administração Interna, por suspeitas de participação económica em negócio, na campanha. O líder do PSD diz também que cabe à oposição colaborar com o Governo e que o partido não percebeu isso.

- Não comentou o Caso das Golas e limitou-se a criticar os jornalistas e defender o segredo de justiça. Porquê?
Rui Rio – Não comentei nem vou comentar porque, estando na Justiça, a Justiça trata disso. E por termos eleições à porta menos ajustado seria estar a chamar um caso desses à campanha. E não ataquei jornalistas nenhuns. O jornalismo de investigação nada tem a ver com o que disse: o jornalista tem determinadas provas e publica. É ele que está a criar o caso. Quando um caso já não está em segredo de justiça e há uma acusação, então também pode pôr tudo cá para fora. Um caso em investigação que não está em segredo de justiça também. Se está em segredo, para não haver julgamento em praça pública e destruição de prova, a publicação deve ser proibida.

- Havia buscas no MAI, ao presidente da Proteção Civil, demitiu-se um secretário de Estado: como se explicava isto ao povo sem dar a notícia do que se passou? O povo é quem vota.
- O povo vota e vota bem, mas não julga nos tribunais. Os julgamentos e as sentenças devem ser dados nos tribunais.

- Um secretário de Estado demite-se e não comenta?
- Não comento pela situação em que estamos, de campanha eleitoral. Está na Justiça e não me quero aproveitar disso.

- A sua visão da Justiça é a mais intrincada para o cidadão médio. Porque defende uma aumento maior para os professores e critica o dos magistrados?
- Eu não defendo aumento dos professores...

- O PSD esteve envolvido na negociação [com a esquerda]...
- Não era um aumento. O que está em causa nos professores é que tiveram o tempo congelado. Uma vez descongelado, disseram que queriam que fosse reconhecido. O que BE e PCP dizem é "paguem lá tudo". Nós, CDS, e PS dizemos que não há dinheiro para tudo. A nossa diferença face ao PS é que ele diz que "em vez de 9 anos tomem lá dois". E digo que os 7 anos que faltam têm de ser negociados: pode uma parte pequena ser em acerto salarial e o resto negociado com antecipação da reforma e redução de horário.

- O PSD não acordou com a esquerda naquela comissão...
- Nada.

- António Costa fez fita?
- Fez fita e de que tamanho... Nunca foi repórter parlamentar, mas o que se vota naquelas comissões é artigo a artigo.

- O PSD não fechou um documento final?
- Não, fecha é o documento para ir a votação em plenário...

- Onde raramente as votações são alteradas.... Há até uma foto que parece a ‘Última Ceia’.
- Nessa foto nem ninguém sabe o que eles estão a tratar. Alguma vez me passou pela cabeça pôr em causa as Finanças?

- É por isso que é contra o aumento dos magistrados?
- Aí, é outra coisa. Antigamente, os salários dos magistrados andavam em linha com os dos oficiais generais das Forças Armadas e com os catedráticos. Nos últimos anos foram descolando e eu acho isso mal. Os magistrados descolaram demasiado. E o que digo em relação aos professores é que se um deles atinge o topo e tiver um filho juiz estagiário no primeiro dia de trabalho estará a ganhar mais do que o pai ou a mãe.

- Quando chegou ao cargo usou o chavão do banho de ética. Os partidos são passíveis de banhos de ética?
- Os partidos foram fundados, o tempo foi passando e foram-se enquistando e absorvendo vícios e pessoas que não interessam. Chega a dada altura em que é preciso fazer reformas profundas. Acho que o dever de todos os que são dirigentes de topo é recuperar a ética.

- E o que fez no seu PSD?
- Mudei o regulamento interno para proibir que quem tem mais dinheiro, numa eleição, pague quotas dos militantes. Mudei o sistema informático. Mas não se muda um partido num ano ou dois. Vai-se mudando, porque eu não sou um revolucionário, sou reformista.

- A relação de cordialidade com António Costa dificultou-lhe a tarefa de líder da oposição?
- Obviamente que se detestar uma pessoa é-me mais fácil começar ao gritos. Aqui nem se coloca essa questão. O que eu tinha na minha cabeça, e acho que é o que é honesto, era durante o ano de 2018, como líder da oposição, colaborar com o Governo que está em funções, não estar permanentemente a criticar e a deitar abaixo. Chegados a 2019, é o momento de começar a marcar as diferenças. As pessoas percebem a minha disponibilidade para participar em reformas. Em 2020, voltamos ao princípio: não há eleições e um estará no Governo, outro na oposição. Seja quem for, a obrigação da oposição é colaborar. É assim que eu vejo a política.

- As sondagens parecem mostrar que as pessoas não percebem.
- O cidadão entende se o deixarem entender. Se em 2018 eu tento participar em soluções para o País e tenho o partido a deturpar e a fazer ruído, dizendo que eu quero ser vice-primeiro-ministro e um bloco central, o cidadão olha e diz que aquilo é uma confusão.

"Baixar o IVA da eletricidade e do gás dos 23% para os 6%"
- O que criticaria mais na política de António Costa?
– Eu prefiro, em vez de criticar as situações concretas, criticar o rumo do Governo. O que os portugueses querem é, em primeiro lugar, melhores empregos e melhores salários e a estratégia do Governo aí é zero, foi apenas de distribuição e não de criação de riqueza. A forma como estamos hoje é como estávamos há quatro anos.

- As pessoas sentem mais dinheiro no bolso, o que é mais difícil para a oposição...
- O que eu posso garantir é que o que foi feito em quatro anos em nada garante a melhoria da qualidade de vida das pessoas no futuro.

- E qual a estratégia do PSD?
- É pela margem orçamental que crescimento económico nos vai potenciar nos próximos quatro anos: 25% será para redução de impostos, um quarto para investimento público e o resto para despesa. Metade da redução de impostos é para as empresas e a outra metade é para o presente: vamos reduzir um pouco o IRS e vamos reduzir de 23% para 6% o IVA da eletricidade e gás. Essa medida custa ao Orçamento do Estado 500 milhões por ano. E reduzimos a taxa mais baixa de IMI.

- Não abate a dívida?
- Parte do valor reservado para a despesa é para abater a dívida.

- Está a contar com um crescimento que não se sabe se de facto acontecerá. As previsões apontam para um abrandamento...
- Bem, aí aquela máxima do João Pinto, que jogava no FC Porto, é perfeita. Previsões só no fim do jogo. Qualquer previsão de qualquer partido assenta em previsões e as que temos emanam do Conselho de Finanças Públicas, que é completamente isento. Pegámos nesse quadro e fizemos pequenos ajustamentos às nossas políticas económicas.

Mexer nos PDM para aumentar espaços verdes
O líder do PSD diz ser necessário fazer alterações nos Planos Diretores Municipais (PDM) das cidades para impor mais espaços verdes. Na área do Ambiente, Rui Rio defende ainda a imposição de regras nos investimentos industriais e agrícolas e na construção civil, para que se reduza a emissão de CO2.

Risco da maioria de dois terços na AR
Rio explicou que o aviso do CDS sobre a maioria de 2/3 à esquerda se refere ao perigo do eleitorado de centro votar PS para travar BE e PCP, tendo efeito contrário.

76 deputados deixam PSD e CDS no limiar
O Parlamento tem 230 deputados, o que significa que se o PSD e o CDS só elegerem, em conjunto, 76 deputados, entregam um poder quase absoluto à esquerda.
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