Líder do Livre fez uma analogia entre a árvore, que começou como uma semente, e o partido, destacando o crescimento dos dois.
O porta-voz cessante do Livre, Rui Tavares, despediu-se este domingo da liderança do partido com uma homenagem à "musa literária" do 17.º congresso, destacando a união e a coesão ideológica desta força política.
Antes do arranque do último dia de trabalhos do 17.º Congresso do Livre, Rui Tavares e outros dirigentes e apoiantes do partido estiveram no centro da vila de Sintra para homenagear Maria Gabriela Llansol, a "musa literária, madrinha literária", desta reunião magna, junto ao plátano que a autora apelidou de "Grande maior".
A momentos do anúncio dos resultados da eleição da nova direção, Rui Tavares referiu que este seria a sua última iniciativa como co-porta-voz. Isabel Mendes Lopes, com quem divide a liderança, e Jorge Pinto, candidato a ocupar esse lugar, não estiveram presentes por motivos de saúde e de atraso, segundo indicou Tavares.
Em declarações à agência Lusa e à RTP, o líder do Livre fez uma analogia entre a árvore, que começou como uma semente, e o partido, destacando o crescimento dos dois, e considerando que o Livre "será sempre maior enquanto souber manter este espírito de pluralismo, mas de união também, como se viu neste congresso, de coesão ideológica, em que se percebe que é um partido em que as pessoas acreditam nas mesmas coisas".
"Um partido que age de outra maneira, um partido que é parecido com as pessoas que representa, são as pessoas que estão gratas à democracia e ao Estado social, mas que querem mais e que sabem que se querem mais também têm que devolver ao país e têm que devolver ao país fazendo política, é um partido que tem tudo à sua frente para crescer. Se não se esquecer disso, tem tudo à sua frente para crescer", defendeu.
O deputado referiu que à hora a que falava, a votação já tinha encerrado e os votos estariam a ser contados e salientou que a partir desse momento "acabaram as listas" candidatas aos órgãos.
"Não há esta lista ou aquela lista, só há membros e apoiantes do Livre, só há pessoas que vocês ontem viram falar de ecologia, falar de igualdade, falar de liberdade, falar de uma visão para o projeto europeu que não seja a que nós temos agora, que ajude a fazer uma globalização mais justa, que taxe os super ricos e que os ponha a pagar aquilo que eles devem pagar para que os mais pobres possam ter uma vida à sua frente", assinalou.
Rui Tavares recusou também que existam fações entre os dirigentes e apoiantes do partido, defendendo que "o que há é pluralismo, porque o partido quis que assim fosse", destacando a escolha dos candidatos do partido a eleições através de primárias abertas.
O líder cessante considerou também que o país "não tem donos e a esquerda também tem o direito e o dever de se preparar para governar e para governar bem".
"Foi isso que fizemos aqui nestes últimos dias e que vamos continuar a fazer e fazemo-lo unidos, porque escolhemos no início não ser um partido de tendências, isso é para outro tipo de partidos também", considerou.
Tavares disse igualmente que no Livre "não há ninguém que seja mais ecologista do que o outro, não há ninguém que seja mais libertário do que o outro, não há ninguém que seja mais pela igualdade, mais pelo socialismo democrático do que os outros".
"Todos fazemos parte desse mesmo património ideológico e avançamos com ele, às vezes usando o partido como plataforma para fazer alguma política mais intensa, outras vezes decidindo também tirar o seu tempo para fazer as outras coisas magníficas que a vida também oferece, porque a vida não é só política", referiu, numa alusão ao seu futuro.
Nesta homenagem a Maria Gabriela Llansol, na qual participaram algumas dezenas de pessoas, foi lido um excerto da obra da autora e colocado um ramo de flores junto ao plátano.
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