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Correio da Manhã

Política

SAMPAIO ABENÇOA MISSÃO EM CABUL

Bombeiros militares, controladores aéreos e meteorologistas portugueses deverão participar numa missão coordenada pela NATO no Afeganistão. Ao todo, Portugal enviará dez militares no segundo semestre deste ano. O local de intervenção será o Aeroporto de Cabul.
8 de Fevereiro de 2004 às 00:00
Presidente da República, Jorge Sampaio, está de acordo com o envio de militares para o Afeganistão
Presidente da República, Jorge Sampaio, está de acordo com o envio de militares para o Afeganistão FOTO: Inácio Rosa
A decisão do Governo tem o aval do Presidente da República, que ontem revelou ter sido contactado pelo primeiro-ministro, Durão Barroso, quando se encontrava em visita oficial à Noruega.
Sampaio falava à margem da homenagem ao general Firmino Miguel, falecido há 13 anos. O Presidente enalteceu-lhe o patriotismo.
Sobre a missão em Cabul, o Chefe de Estado acrescentou que a missão "está perfeitamente aprovada do ponto de vista internacional".
O ministro da Defesa, Paulo Portas, adiantou ontem que a participação militar portuguesa no Afeganistão vai ser "limitada, mais em quantidade do que em qualidade". Em declarações à Lusa, Portas sublinhou que o contributo português "vai ser nas áreas de controlo e segurança aéreos no Aeroporto de Cabul, com dez militares, podendo ainda haver um lugar de Estado-Maior".
Segundo o ministro, tinham sido detectadas algumas lacunas na participação da NATO na Força de Estabilização do Iraque (ISAF), sob os auspícios da ONU. Além disso, "Portugal, que era o único país da NATO a não participar no ISAF (gerando algum incómodo), decidiu contribuir com elementos especializados no controlo e segurança aéreos", adiantou Portas. Assim, a "participação portuguesa vai ocorrer no segundo semestre deste ano e torna-se possível porque nessa altura estará reduzida a presença dos militares portugueses em Timor-Leste", concluiu Portas.
Entretanto, uma fonte do Ministério da Defesa estranhou a reacção do líder do PS, Ferro Rodrigues, lembrando que foi o Governo de Guterres a dar o aval para participar na operação no Afeganistão.
REACÇÕES POLÍTICAS
SÓ COM O AVAL DA ONU (Ferro Rodrigues, PS)
"A única coisa que posso dizer é que o PS só aprova a presença de militares portugueses em acções com o aval das Nações Unidas", afirmou ontem o líder do PS, Ferro Rodrigues, em Madrid.
O secretário-geral socialista adiantou ainda não ter conhecimento concreto da participação portuguesa no Afeganistão.
MISSÃO SEM SENTIDO (Carlos Carvalhas, PCP)
“Não temos nada a ver com aquela guerra. Isto só mostra que há falta de dinheiro para a saúde, habitação, para desenvolver, mas não para irmos gastando aqui e acolá”, afirmou ontem à TSF o líder do PCP, Carlos Carvalhas.
Para os comunistas, o conflito no Afeganistão nada tem a ver com Portugal, portanto a participação lusa não faz sentido.
DEBATE URGENTE NA AR (Francisco Louçã, BE)
Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, afirmou ontem que os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros "têm de explicar urgentemente" o que se passa sobre o envio de uma missão militar para o Afeganistão. "O envio de militares portugueses tem de ser controlado pela Assembleia da República", salientou Francisco Louçã, que se opôs à missão.
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