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Correio da Manhã

Política
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SAMPAIO AVALIA MISSÃO NO IRAQUE

O Presidente da República, Jorge Sampaio, avalia hoje com o Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN) a participação de Portugal em cenários internacionais, com destaque para o Iraque.
24 de Junho de 2004 às 00:00
Um tema presente no debate interno das chefias militares, depois de o Conselho de Segurança das Nações Unidas ter aprovado por unanimidade a resolução que apoia a transferência da soberania para o novo governo iraquiano a partir de 30 de Junho, bem como a presença de uma força multinacional no terreno.
Com a nova resolução da ONU, a participação de Portugal tornou-se legítima à luz do direito internacional e o envio de militares para o terreno uma hipótese real.
Mesmo assim, o eventual reforço da intervenção portuguesa pode não ser consensual entre todos os partidos. O Bloco de Esquerda, que foi um dos vencedores nas últimas eleições europeias ao conseguir eleger um deputado, fez da presença da GNR no Iraque a sua bandeira eleitoral. Miguel Portas defendeu a retirada imediata do contigente militar. Para o cabeça de lista do BE, a própria intervenção da ONU é um elemento desestabilizador da paz no Iraque, uma vez que os iraquianos parecem estar contra a permanência de uma força multinacional.
No entanto, o certo é que Portugal tem acordos internacionais a honrar e, no caso do Governo se decidir por uma intervenção militar, cabe ao Presidente da República a última palavra.
Além do Iraque, Sampaio ouve hoje o Governo e as chefias militares sobre a situação das forças que regressaram de Timor-Leste, no que diz respeito ao futuro em termos de emprego. A insatisfação das associações de militares , que levou à entrega de uma petição de 5400 assinaturas, na Assembleia da República, também será um tema a discutir. Recorde-se que o ministro da Defesa, Paulo Portas, há muito que promete resolver “as aspirações de três gerações de militares”.
A CONTAGEM DOS BATALHÕES
O Exército nunca se quis manifestar sobre a questão do Iraque, mas no caso da opção nacional recair sobre forças de combate, será o ramo terrestre das Forças Armadas o principal ‘fornecedor’, embora sempre no escalão batalhão, uma vez que é a única estrutura que garante visibilidade, por ser autónomo.
E, à partida, os pára-quedistas da Brigada Aerotransportada Independente (BAI) são a unidade que mais forças disponíveis tem para emprego imediato. É que para um teatro de operações como o do Iraque, as forças a empenhar têm de dispor de uma boa preparação para combate e serem permanentes, o que chumbará desde logo as unidade que são levantadas para as missões no exterior.
Os comandos poderiam ser opção pelo nível de preparação, mas não têm nem equipamento nem o Exército ainda os deixou chegar a batalhão, embora possam ser integrados.
Em S. Jacinto, um batalhão de pára-quedistas está pronto e disponível e, embora disponha apenas de 400 homens, tem capacidade para crescer até aos 700 homens e há um outro batalhão em Tomar. Haveria também o de Beja, mas em princípio será extinto, no âmbito da actual reestruturação, logo que chegue da Bósnia.
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