Durão Barroso poderá ter dado ontem, com a sua visita a Pedro Santana Lopes como presidente da Comissão Europeia, um apoio decisivo para o PSD reconquistar os eleitores que votaram no ex-líder social-democrata nas eleições legislativas de 2002.
Santana e Barroso encontraram-se, em São Bento, a nível institucional, mas, sabendo-se como o discurso do PSD tem sido focalizado na necessidade de convencer os indecisos, os sociais-democratas acreditam que o prestígio internacional de Durão Barroso poderá exercer influência sobre o sentido de voto do eleitorado indeciso.
Santana Lopes tem frisado, nos últimos dias, que os indecisos são, essencialmente, eleitores que votaram no PSD nas eleições de 2002. E, por isso, considera o líder social-democrata, a vitória nas legislativas do próximo dia 20 de Fevereiro é possível, desde que o partido consiga reconquistar os indecisos. Ontem, no almoço dos Trabalhadores Sociais Democratas (TSD), em Lisboa, Santana Lopes foi claro como nunca tinha sido até agora: “assumi a responsabilidade para ganhar. Quem me quiser julgar na noite de 20 de Fevereiro diga: ganhou as eleições, ganhou. Se não tiver ganho as eleições, é porque perdi em toda a linha, mas vou ganhar”.
Com esta declaração, o líder do PSD desafia, desde já, os críticos da sua liderança, como Marques Mendes, para um acerto de contas. Santana Lopes aproveitou o seu esclarecimento para desafiar José Sócrates “a dizer a mesma coisa [sobre o próximo acto eleitoral]: vitória é só ganhar as eleições. E, se não ganhar, que o PS se renove e traga novos dirigentes para o combate político em Portugal”.
O desempenho do presidente do PSD no debate com o secretário-geral do PS, que até Pacheco Pereira elogiou, foi um factor decisivo para relançar a esperança da vitória entre os sociais-democratas. “Desde estes dias, o tempo está a mudar: não sei se vai chover ou não...”, afirmou Santana Lopes numa alusão ao ambiente criado após o confronto político com José Sócrates. Para já, o líder do PSD está convicto de que “não estamos ainda à frente, mas estamos mais próximos”. A conquista dos indecisos passa também pela participação na campanha de nomes importantes do PSD, como Eurico de Melo, para travar a fuga de votos para o CDS/PP, que apela ao “voto útil”.
Os democratas-cristãos desvalorizam as declarações de Santana sobre o aborto e a recusa em nomear Bagão Félix para a pasta das Finanças, caso vença as eleições. E defendem que não será a presença de nomes sonantes do PSD na campanha que irá impedir a conquista de votos na área do PSD.
'PESOS PESADOS' MOVIMENTAM-SE
Todo o apoio nunca é demais e, em tempo de ‘guerra’, o PS e o PSD recrutam para a primeira linha de combate as figuras políticas mais influentes. O PSD junta, hoje, em Castelo Branco uma dupla de força: Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira,e Eurico de Melo, dirigente histórico e antigo vice-primeiro-ministro de Cavaco Silva. Durão Barroso ainda ontem manifestou, indirectamente, o seu apoio a Santana Lopes, e Marcelo Rebelo de Sousa, antigo líder do PSD, já deu um forte impulso à pré-campanha ao comparecer num jantar de apoio a Luís Filipe Menezes, o cabeça de lista por Braga. Do outro lado do campo de batalha, os socialistas também não perderam tempo e, como era esperado, António Guterres apareceu ao lado do seu antigo ministro do Ambiente, José Sócrates, apelando à maioria absoluta. E deverá ainda fazer mais aparições públicas.
Inesperado foi o apoio do fundador do CDS: Diogo Freitas do Amaral, que apelou publicamente à maioria absoluta no PS.
Do lado dos democratas-cristãos, Paulo Portas já almoçou com Adriano Moreira, o histórico do CDS, tendo este demonstrado assim o seu apoio ao partido.
Reduzir as despesas da Função Pública para 11% do PIB- Santana Lopes.
ACREDITO
“É um bom objectivo mas só para duas legislaturas. Só em oito anos conseguiremos colocar-mo-nos a par da média dos restantes países da União Europeia e próximos dos níveis de Espanha e mesmo assim será necessário tomar as medidas certas. Em quatro anos apenas não é possível atingir este objectivo, uma vez que a redução do peso das despesas com a função pública deve estar associada à passagem das despesas públicas totais de 48 por cento para 40 por cento do PIB. Será, igualmente, necessário reformar a administração pública de forma coerente e para isso é preciso tempo”.Eduardo Catroga, Ex-ministro das Finanças
NÃO ACREDITO
“É totalmente impossível, até porque o dr. Santana Lopes também prometeu que não vai despedir funcionários públicos. Como tal, esta promessa parece-nos puramente utópica. Nos últimos três anos só a muito custo se conseguiu reduzir muito ligeiramente o peso das despesas públicas totais, portanto a redução das despesas da Função Pública será impossível e nem é desejável. O Estado tem, também, uma função social”.João Proença, Secretário -Geral da UGT
O presidente da Comissão Europeia pode receber líderes da oposição, mas o trabalho institucional é com o Governo, que é actualmente liderado por Pedro Santana Lopes” Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia
Nestas coisas, particularmente nesta campanha, convém ouvir a fonte original e o que o dr. Santana Lopes disse foi que o dr. Bagão Félix estava na equipa do CDS, pelo que não podia estar ao mesmo tempo na equipa do PSD, facto que me parece normal.Paulo Portas, presidente do CDS-PP
Não há outro resultado. Não baixarei expectativas. Para mim, vitória é só vitória, se não ganhar só há uma leitura: derrota. Pedro Santana Lopes, presidente do PSD
Na sequência do seu pedido [um ex-combatente] ao Ministério da Defesa, um general escreve no parecer que dá: “Só os loucos é que têm direito, como é sabido. Proponho o indeferimento”. Ora é isto que diferencia a direita da esquerda”. Francisco Louçã, dirigente do Bloco de Esquerda
Ele [Francisco Louçã] fala, fala, fala, mas não diz nada. Ou melhor, não fez nada pelos antigos combatentes.Paulo Portas, presidente do CDS-PP
Chegou o momento de vos pedir, não que dêem um cartão amarelo, mas que dêem um cartão vermelho ao Governo. José Sócrates, secretário-geral do PS
Quem diz que só fiz um oásis e mandei plantar umas palmeiras, que leia o livro [’Figueira, a minha história]. Santana Lopes, presidente do PSD
CONTRA 'VOTO DISTRAÍDO'
Várias personalidades católicas divulgaram, ontem, uma carta aberta a todos os eleitores. A carta pretende somente lembrar que certas questões básicas da ética cristã podem estar a ser postas em causa, como o aborto, eutanásia ou casamento entre homossexuais. “Seria bom que o voto não fosse um voto distraído. É importante que os partidos clarifiquem o que pensam sobre estas questões”, apela Braga da Cruz, um dos subscritores desta missiva.
COMBATE À ABSTENÇÃO
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) vai lançar hoje uma campanha de combate à abstenção, apelando aos eleitores para não deixarem de exercer o seu direito de voto no dia 20. A campanha da CNE tem como grande objectivo “o combate à abstenção”, irá ser publicitada em jornais, rádios, universidades, bares, discotecas, caixas de multibanco, cartazes entre outros locais. Segundo a CNE, esta campanha irá custar cerca de 340 mil euros.
MEDINA: NEM PS NEM PSD
O ex-ministro das Finanças de Mário Soares entre Julho de 1976 e Dezembro de 1977, Henrique Medina Carreira, afirmou que não vai votar no PSD nem no PS, por considerar improvável que das eleições saia uma solução política para a “gravíssima crise” do País. “Ninguém, revelou, na política activa actual, discernimento, aptidão e credibilidade para tranquilizar o País e vencer uma tal crise”, sintetiza Medina Carreira em artigo de opinião no ‘Público’.
COMBATENTES OPR PORTAS
A Associação dos Combatentes do Ultramar Português e a Associação dos Prisioneiros de Guerra lamentaram as acusações do PCP e do BE de que o ministro da Defesa enviou cartas aos ex-combatentes para fazer propaganda política. Em comunicado as associações informam que os ex-combatentes já recebem cartas desde Setembro de 2004 e defendem o ministro da Defesa: Paulo Portas é “ o político que em Portugal mais tem defendido a causa dos antigos combatentes”.
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