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Correio da Manhã

Política
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SANTANA ASSIM-ASSIM

Pedro Santana Lopes é um primeiro-ministro ‘assim-assim’ e a sua equipa é também ‘assim-assim’. É desta forma pouco entusiástica que os portugueses avaliam o novo Governo da coligação PSD/CDS-PP. Numa sondagem do Correio da Manhã/ /Aximage, o chefe do Executivo é ligeiramente melhor avaliado do que os ministros, mas são-lhe apontados como principais defeitos a vaidade, a inconstância, a arrogância e a falta de experiência.
30 de Julho de 2004 às 00:00
No que diz respeito às qualidades, o dinamismo foi a mais referida, mas a segunda resposta dos inquiridos foi ‘nenhuma’, seguida depois da honestidade e da frontalidade.
Para 22,6 por cento dos inquiridos, Santana Lopes é um bom primeiro-ministro, mas apenas 14,3 por cento dá a mesma avaliação aos ministros. O primeiro-ministro também ganha na categoria de ‘muito bom’, sendo assim considerado por 2,8 por cento dos inquiridos, enquanto apenas 1,4 por cento respondeu o mesmo em relação à equipa governamental. Mas a grande maioria fica-se pelo ‘assim-assim’. Santana é avaliado dessa forma por 40,5 por cento e 47,8 por cento respondeu o mesmo em relação à sua equipa.
A lista de qualidades e defeitos de Pedro Santana Lopes apontada pelos inquiridos desta sondagem é extensa e com algumas curiosidades. O dinamismo é a qualidade mais apontada (nove por cento), mas a segunda resposta mais dada foi que o primeiro-ministro não tem ‘nenhuma’ qualidade (7,5 por cento). Seguem-se depois a seriedade/honestidade (7,1 por cento), a frontalidade/segurança (sete por cento), a inteligência (6,9 por cento), a facilidade de comunicação (6,7 por cento), a simpatia (5,5 por cento), a dedicação ao trabalho (3,9 por cento) e a competência (3,8 por cento).
A vaidade parece ser o seu pior pecado, pois 14,7 por cento dos inquiridos considera-o vaidoso. Depois disso, 9,2 por cento considera-o inconstante, oito por cento arrogante, 6,9 por cento sem experiência, 4,8 por cento incompetente, 4,5 por cento um ‘playboy’ e 2,4 por cento lembra que ele não cumpre o que promete. Entre os defeitos apontados ao primeiro-ministro estão ainda o populismo (1,6 por cento), a impulsividade, a teimosia e a preguiça (1,2 por cento) e ainda a falta de honestidade (0,4 por cento).
E se 7,5 por cento dos inquiridos considerou que o primeiro-ministro não tem nenhuma qualidade, apenas um por cento respondeu que não tem defeito nenhum.
Uma das suas primeiras medidas enquanto primeiro-ministro parece ter deixado os portugueses algo indiferentes. Cerca de 37 por cento dos inquiridos considera que a deslocalização de algumas secretarias de Estado para fora de Lisboa não vai ter grande influência no seu funcionamento. Apenas 26,2 por cento acredita que vão funcionar melhor do que agora e 31,8 por cento acredita mesmo que a qualidade do serviço vai piorar.
As primeiras promessas, nomeadamente a eventual descida do IRS, também parecem não estar a convencer os portugueses.
MAIORIA NÃO ACREDITA NA DESCIDA DO IRS
A maioria dos portugueses não acredita que o Governo baixe o imposto IRS em 2005, apesar das promessas de Santana Lopes em fazer alterações às deduções à colecta já no próximo ano. Segundo uma sondagem Correio da Manhã/Aximage, 68,3 por cento dos inquiridos considera que não haverá uma descida do imposto IRS.
O eleitorado do PCP é o mais descrente, seguindo-se o do PS. Fazendo uma leitura à distribuição dos inquiridos pela sua cor política, pode-se verificar ainda que entre os dois partidos da coligação, (PSD e CDS-PP), os sociais-democratas são os mais cépticos em relação à descida do IRS; 58, 7 por cento do eleitorado do partido de Santana não acredita nessa possibilidade. Metade dos democratas-cristãos inquiridos também não vê possibilidades para a descida do imposto. Do lado contrário, os mais optimistas não chegam aos 30 por cento.
Questionados sobre a principal prioridade do Governo, os inquiridos não têm dúvidas: a saúde deve ser a principal aposta do Executivo de Santana, com 43 por cento. Segue-se o desemprego com apenas 15, 6 pontos percentuais. O sector económico surge à frente da educação, com onze por cento. A cobrança de impostos é preocupação para 2,7 por cento dos portugueses.
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