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Correio da Manhã

Política
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Santana despediu Borges

O Governo de Pedro Santana Lopes informou, no final de 2004, a Goldman Sachs (GS), banco de investimento americano do qual António Borges era managing director, de que pretendia denunciar o contrato de consultoria financeira que tinha com a instituição, no âmbito da reestruturação do sector energético.
2 de Abril de 2008 às 12:00
Borges acusou Pinho de um processo iniciado por Santana Lopes
Borges acusou Pinho de um processo iniciado por Santana Lopes FOTO: direitos reservados

Ao que o CM apurou, em 14 meses de consultoria prestada para oEstado português, a Goldman facturou 2,3 milhões de dólares (1,470 milhões de euros).

António Borges, que deixou de pertencer aos quadros do banco, no seguimento de uma medida de redução de pessoal tomada em virtude da crise do subprime, disse no domingo, em entrevista ao ‘Público’, que a sua participação no Congresso do PSD em 2005 desencadeou uma retaliação do Governo sobre aquele banco de investimento. 'O Congresso teve lugar no fim-de-semana e na segunda-feira, logo de manhã, fui chamado ao gabinete do ministro Manuel Pinho, que me comunicou que todos os contratos com a GS estavam cancelados a partir daquele momento.'

Só que, segundo fontes conhecedoras do processo, o Estado português mostrouinteresseemdenunciar ocontratocomaGoldmanjáno final de 2004, quando o Governo era liderado por Pedro Santana Lopes. 'A 2 de Dezembro de 2004, a Parpública [holding do Estado para as empresas públicas] informou os advogados do banco de investimento de que não existia a necessidade de continuar o contrato', precisa-se. E o secretário de Estado do Tesouro, Morais Leitão, foi também informado da situação, até porque 'os custos inerentes a este contrato eram elevados'. Por isso, a 6 de Abril de 2005, já no Governo de José Sócrates, a Parpública propõe a denúncia do contrato. O Congresso do PSD realizou-se entre 8 e 10 de Abril, em Pombal. Para terminar o contrato com a GS foi invocado o chumbo da Comissão Europeia (CE) ao plano de reestruturação do sector energético do ministrodaEconomia, Carlos Tavares. Como a CE não aprovou a concentração do negócio do gás natural na EDP, considerou-se que 'não fazia sentido continuar o contrato a GS'. O CM chegou à fala com António Borges que não quis fazer comentários.

O CONTRATO

FACTURAÇÃO TOTAL

O contrato entre a Parpública e a Goldman Sachs (GS) foi assinado em 1/2/2004, no Governo de Durão Barroso. Entre esta data e Abril de 2005, quando o contrato terminou, a GS recebeu do Estado português 2,3 milhões de dólares. O valor total do contrato previa, caso fosse cumprido, uma verba de 4,7 milhões de dólares.

CEM MIL DÓLARES/MÊS

Pelo contrato com o Estado, a GS recebida avença mensal de cem mil dólares; 300 mil dólares quando fosse vendida parte da REN à EDP; 1,5 milhões de dólares quando fosse concretizada a compra da posição da ENI na Galp; e 1,5 milhões de euros de dólares quando a Gás de Portugal fosse vendida à EDP.

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