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Correio da Manhã

Política

Santana e Rui Rio em debate escaldante

Santana irritou-se com invocação das “trapalhadas” de 2004. Rio teve de justificar proximidade com António Costa.
Bruno de Castro Ferreira e Diana Ramos 5 de Janeiro de 2018 às 01:30
Debate entre Santana Lopes e Rui Rio
Debate entre Santana Lopes e Rui Rio
Rui Rio com Santana Lopes e Pedro Passos Coelho
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Debate entre Santana Lopes e Rui Rio
Debate entre Santana Lopes e Rui Rio
Rui Rio com Santana Lopes e Pedro Passos Coelho
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Debate entre Santana Lopes e Rui Rio
Debate entre Santana Lopes e Rui Rio
Rui Rio com Santana Lopes e Pedro Passos Coelho
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
Rui Rio e Santana Lopes são os dois candidatos à liderança do PSD
O debate começou morno e com o discurso alinhado. Rui Rio e Santana Lopes, candidatos à liderança do PSD, estão de acordo no facto de não haver pressa para mexer na lei de financiamento dos partidos. No primeiro frente a frente antes das diretas de dia 13, na RTP, o verniz só estalou quando Rio invocou as "trapalhadas" que ditaram a demissão do Governo liderado por Santana, em 2004. E atingiu o ponto alto quando Santana disse que Rio e Costa são "Dupond e Dupont".

"Há personalidades e estilos completamente diferentes", começou por dizer o ex-autarca do Porto quando lhe foi pedido para enunciar as diferenças face ao rival. Santana reagiu de imediato para perguntar a Rio se ia voltar a evocar as "trapalhadas" que levaram Jorge Sampaio a dissolver o Parlamento. À época, Rio era vice-presidente de Santana no partido. "As trapalhadas efetivamente existiram", atirou Rio. "E só dizes isso dez anos depois?" questionou Santana irritado, insistindo para que Rio detalhasse. "Santana Lopes teve uma experiência como primeiro-ministro que correu manifestamente mal. Se ele for candidato todas essas fragilidades e histórias voltam ao de cima", avisou o ex-autarca do Porto, lembrando que as diretas para a liderança do PSD escolhem também o rosto que irá disputar as legislativas com António Costa.

Aliás, a relação de Rio com o atual primeiro-ministro serviu também de arma de arremesso entre os dois candidatos. Depois de acusar Rio de só dizer mal do partido e de "não ter uma palavra contra a frente de esquerda", Santana fez questão de sublinhar que nunca assinou cartas com o líder do PS, referindo-se à declaração conjunta que Rio e Costa escreveram – quando ambos eram autarcas de Lisboa e Porto – sobre o modelo de governo das autarquias. "Dupond e Dupont não somos nós os dois, és tu e António Costa", atirou Santana.

Questionados sobre o que pensam a propósito do peso do Estado na economia, os dois alinham na necessidade de fazer ajustes. Rio defendeu uma reforma feita "de forma gradual para evitar desequilíbrios". Já Santana considera que "com a carga fiscal que pagamos devíamos ter um Estado exemplar" e não "abusador", como o atual.

Ambos veem o CDS como parceiro natural de coligação mas querem ir sozinhos a eleições. No entanto, só Rio admite a hipótese de bloco central. "Pode haver situações extraordinárias em que, em nome do interesse nacional, não se pode estar amarrado a dizer ‘jamais’".

Perfis

Rui Fernando da Silva Rio nasceu a 6 de agosto de 1957 no Porto. Estudou no Colégio Alemão e licenciou-se em Economia. Em 1980 entra para o BCP e em 1982 assume a vice-presidência da Comissão Política da Juventude Social Democrata. Em 1991 é eleito deputado à Assembleia da República e em 2001 é eleito presidente da Câmara do Porto, ficando naquele cargo até 2013, estabelecendo o recorde da personalidade que mais tempo ficou à frente da autarquia. Em 2014 regressa ao Millennium/BCP.

Pedro Santana Lopes nasceu a 29 de junho de 1956. Licenciou-se em Direito em Lisboa. Integra o V governo constitucional como assessor de  Álvaro Monjardino. Vai para a Alemanha estudar e regressa em 1980 para ser assessor do primeiro-ministro Sá Carneiro. Em 1990 Cavaco faz dele secretário de Estado da Cultura, e em 1995 ganha as eleições para presidente do Sporting. É presidente da câmara de Lisboa e em 2004 é nomeado primeiro ministro do XVI governo constitucional.

Candidatos evitam-se horas antes do debate
Santana Lopes e Rui Rio estiveram juntos poucas horas antes do debate, na apresentação das conclusões do movimento ‘Portugal Não Pode Esperar’, no Centro Cultural de Belém, onde ouviram o atual presidente do PSD, Passos Coelho, aconselhar-lhes humildade e capacidade de aprender. Mas os candidatos evitaram-se à entrada.

Rui Rio chegou apenas 30 segundos antes de Santana Lopes mas foi o suficiente para arrastar consigo todos os militantes que os aguardavam à entrada do Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Rio ainda foi informado da presença de Santana mas optou por seguir em frente e subir a escadaria que o levava à sala onde decorria o evento.

Já Santana Lopes preferiu esperar pela chegada de Passos Coelho, ao fundo das escadas. Confrontado com o atraso do ainda presidente do PSD, Santana acabou por entrar na sala ao lado do eurodeputado Paulo Rangel, mas saiu após alguns segundos. Ainda voltou à sala, mas por breves instantes. Só à terceira entrada é que cumprimentou Rui Rio.

Passos Coelho encerrou o evento e aconselhou "humildade" e "capacidade de aprender" aos candidatos: "Ter a humildade que não se sabe tudo" e ter a "capacidade de ir aprendendo com o que acontece."
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