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Correio da Manhã

Política
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Santos Silva concorda com Marcelo ao defender que recuperação tem de se intensificar

"2016 foi o ano da gestão do imediato, da estabilização política e da preocupação com o rigor financeiro", defendeu.
4 de Janeiro de 2017 às 14:05
O ministro dos Negócios Estrangeiros. Augusto Santos Silva
O ministro dos Negócios Estrangeiros. Augusto Santos Silva FOTO: Lusa
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, apontou hoje "sinais positivos" da economia portuguesa no ano passado e concordou com o Presidente da República ao defender que "o ritmo de recuperação tem de intensificar-se" em 2017.

"2016 apresentou sinais positivos: a consolidação orçamental, o início da estabilização do sistema financeiro, o aumento do produto, a criação de emprego e a redução do desemprego. O ritmo de recuperação, como bem disse o Presidente da República, tem de intensificar-se em 2017", declarou o governante, na sessão de abertura do seminário diplomático, em Lisboa.

Santos Silva referia-se à mensagem de ano novo do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou que "2016 foi o ano da gestão do imediato, da estabilização política e da preocupação com o rigor financeiro" e 2017 "tem de ser o ano da gestão a prazo e da definição e execução de uma estratégia de crescimento económico sustentado".

Na sua intervenção perante os diplomatas portugueses, o ministro sublinhou os dados do INE sobre as exportações portuguesas entre janeiro e outubro de 2016.

"As exportações para a União Europeia aumentaram, em termos nominais, 5%, valendo agora três quartos do total das exportações. Só os quatro primeiros mercados - Espanha, França, Alemanha e Reino Unido - valem dois terços", disse, referindo também que as viagens e turismo são os setores mais exportadores (17%), seguidos de máquinas e aparelhos (10%) e veículos e outros materiais de transporte (8%).

"Insisto nestes factos porque contrariam ideias feitas mas erradas, teimosamente difundidas no espaço público, sobre a alegada dependência das exportações dos novos mercados não europeus ou dos setores ditos tradicionais", salientou.

As empresas portuguesas enfrentaram, no ano passado, a desaceleração económica e a crise financeira em alguns dos mais importantes mercados extraeuropeus, registando-se "fortes quebras nas exportações" e "redução de oportunidades de investimento", bem como mais "dificuldades em obter pagamentos ou repatriar rendimentos".

Mas, por outro lado, as projeções do Banco de Portugal apontam que as exportações terão tido um crescimento real de 4% no ano passado e as importações de 3,5%.

Além disso, as empresas portuguesas conseguiram diversificar os mercados de investimento, nomeadamente na América Latina, África não lusófona, Golfo, Europa e Estados Unidos, enquanto Portugal tem recebido investimento de grandes economias europeias, como França e Alemanha, e é cada vez mais atrativo para acolher centros de inovação e tecnologia e de serviços partilhados, bem como fábricas.

O desafio da internacionalização foi um dos três desafios apresentados pelo ministro para a política externa portuguesa em 2017, a par da afirmação nas Nações Unidas e da participação europeia, e em relação às quais disse não haver "nenhuma rutura de política pública".

"Ao Ministério dos Negócios Estrangeiros é que cabe conduzir a política pública em matéria europeia e internacional", frisou Santos Silva, no final da sua intervenção.

O seminário diplomático, que decorre hoje e quinta-feira em Lisboa, é uma iniciativa anual do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que reúne os embaixadores portugueses com membros do Governo e representantes da sociedade civil, academia e meio empresarial.
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