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Correio da Manhã

Política
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Sargentos prontos para ‘pisar a linha’

Os sargentos das Forças Armadas afirmam estar próximos de ‘pisar a linha’ se o atraso nos pagamentos dos suplementos de reforma aos militares continuar. Apesar de não quererem concretizar uma tomada de posição, lembram as invasões de sargentos ao Parlamento em 2005.
26 de Maio de 2012 às 22:42
Sargentos das Forças Armadas reuniram-se ontem em Lisboa e viúvas.
Sargentos das Forças Armadas reuniram-se ontem em Lisboa e viúvas. FOTO: Jorge Paula

"Há muitos camaradas que estão a tomar um discurso quase de desespero", e "pessoas que estão em pânico", alertou o presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS), António Lima Coelho. Ao CM, Lima Coelho assumiu que a ANS tem todos os cenários de contestação em cima da mesa, "mesmo aqueles que possam significar estar muito próximo de pisar a linha", desde que dentro da legalidade.

Entre os sargentos, o sentimento é de revolta pelos cortes que têm sido feitos nas Forças Armadas. Reunidos ontem em plenário da ANS, os militares acusaram o Governo de "ataques à condição militar" e de não estar "a ter palavra para com os militares". Para o presidente da ANS, "as Forças Armadas não podem ser postas em causa por puros princípios economicistas", apontando que os cortes estão "a acontecer todos ao mesmo tempo" e que espera que a situação dos militares não os "leve ao disparate".

Lima Coelho alerta ainda para a "desmotivação" devido aos cortes nos vencimentos, que pode ter consequências no funcionamento das instituições militares.

FUNDO DE PENSÕES FALIDO

O Fundo de Pensões dos militares está sem dinheiro, afirmou o secretário de Estado da Defesa, Paulo Braga Lino. Em causa estão os complementos de reforma, que variam entre os 200 e os 140 euros, de 13 mil militares reformados e viúvas.

Entretanto, fonte da Associação Nacional de Sargentos (ANS) confirmou ontem ao CM que os pagamentos dos complementos às viúvas já foram efectuados. No entanto, os militares com mais de 70 anos, que beneficiam destes complementos pagos pelo Fundo de Pensões, continuam sem receber desde o dia 18 deste mês.

Braga Lino não se compromete e afirma que os pagamentos serão feitos "logo que consigamos encontrar os recursos financeiros que o permitam".

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