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Correio da Manhã

Política
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"Se a geringonça ruir, PSD não pode ser tábua de salvação": Luís Montenegro no 38.º Congresso do PSD

Candidato derrotado nas últimas diretas do PSD, avisa que Rio não pode dar a mão a Costa.
Diana Ramos e Manuel Jorge Bento 9 de Fevereiro de 2020 às 09:33
Rui Rio e Luís Montenegro
Hugo Soares
Miguel Pinto Luz
Paulo Rangel
Rui Rio e Luís Montenegro
Hugo Soares
Miguel Pinto Luz
Paulo Rangel
Rui Rio e Luís Montenegro
Hugo Soares
Miguel Pinto Luz
Paulo Rangel
O ex-líder parlamentar e candidato derrotado à liderança do PSD, Luís Montenegro, fez um discurso no 38º congresso do PSD no qual apelou a Rui Rio que não dê a mão a António Costa caso a esquerda deixe de apoiar o Governo. Aliás, a maioria das intervenções em Viana do Castelo, de críticos e apoiantes do líder, foi voltada para a necessidade de preparar o partido para um cenário de eleições antecipadas.

"A governabilidade e a estabilidade dependem única e exclusivamente da geringonça de esquerda. Se, antes de 2023, António Costa e o PS não assegurarem a estabilidade à esquerda, só há uma caminho, demitir-se e ir embora à sua vida", atirou Luís Montenegro, depois de ter avisado Rio que "depois deste processo orçamental não pode haver equívocos" e que "se a geringonça ruir o PSD não vai ser a tábua de salvação de António Costa". No entender do ex-líder parlamentar, "Portugal precisa de um PSD forte".

Montenegro, que fez uma demonstração de força ao juntar cerca de 300 pessoas num almoço com apoiantes, pediu ainda menos "crispação" e "menos agressividade verbal". "O partido precisa de respirar mais liberdade e diminuir seguidismos de fação", frisou, mesmo recebendo assobios e apupos. E deixou um recado, citando Sá Carneiro: "O que não posso, porque não tenho esse direito, é calar-me, seja sob que pretexto for."

O tom dominante dos discursos foi o apelo à mobilização para as Autárquicas. "Vamos fazer disto o combate das nossas vidas. Só com uma vitória nas Autárquicas estaremos mais perto de ganhar as Legislativas, sejam em 2020 ou 2023", atirou José Silvano, secretário-geral.

Também Paulo Rangel, eurodeputado e apontado como candidato à Câmara do Porto, traçou o cenário: "Vamos ver Rui Rio, e talvez mais cedo do que tarde, primeiro-ministro de Portugal." Morais Sarmento, vice-presidente, seguiu o tom: "As Autárquicas são o catapultar para o nosso segundo objetivo que, num governo a dois anos, são as eleições legislativas antecipadas."

Miguel Pinto Luz sinaliza disponibilidade
Miguel Pinto Luz, autarca em Cascais, mostrou disponibilidade ao líder. "Quero que saiba, eu não estou na reserva", disse, criticando os que "querem ser senadores sem nunca terem provado o gosto amargo da derrota".

"Hora de deixarmos de ser socialistas de segunda"
Teve direito a apupos e assobios, mas nada o conteve de lançar críticas a Rui Rio e à atual direção: "É hora de deixarmos de ser socialistas de segunda", afirmou Hugo Soares, ex-líder parlamentar e apoiante de Luís Montenegro nas diretas. O dirigente social-democrata frisou que "não é um resultado eleitoral que faz mudar de convicção". E lembrou que o PSD não é o PCP: "Não transformamos derrotas copiosas em vitórias."

Rangel aplaudido com discurso a atacar Costa
Recebeu um dos maiores aplausos da sala no segundo dia de congresso. O eurodeputado Paulo Rangel lembrou o IVA para dizer que António Costa é "um Governo do pastor e do lobo". "De cada vez que o PSD apresenta uma medida diferente e diz que tem de ser aplicada responsavelmente, Costa tem medo e ameaça com a demissão."

PORMENORES
Direção do partido
Rui Rio escolheu para a vice-presidência do partido dois nomes novos: Isaura Morais e André Coelho Lima, que substituem Elina Fraga e José Manuel Bolieiro. O secretário-geral, José Silvano, mantém-se.

‘Centeno’ não é vice
Joaquim Sarmento, Luís Maurício, Paula Calado, Paula Cardoso e Ricardo Morgado são novos vogais da direção. Contudo, o ‘Centeno’ de Rio não chegou a ‘vice’, como apontado.

Conselho de jurisdição
Fernando Negrão vai assumir a presidência do conselho de jurisdição nacional, o órgão de disciplina do partido. Já Mota Pinto mantém-se como presidente da mesa do Congresso.

Rangel encabeça
Paulo Rangel encabeça a lista de Rui Rio ao conselho nacional do PSD, seguido de Arlindo Cunha, o ex-ministro da Agricultura de Cavaco Silva.

Lista de críticos
Paulo Cunha, de Famalicão, deverá encabeçar a lista ao conselho nacional dos apoiantes de Luís Montenegro (à hora de fecho não era pública).Tiago Sá Carneiro, que apoiou Pinto Luz, também encabeça uma lista.
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