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Correio da Manhã

Política
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Secretas com acesso ilegal a chamadas de jornalista

O Serviço de Informações Estratégias de Defesa (SIED) teve acesso a dados ilegalmente do jornalista do ‘Público’, Nuno Simas, que escrevia na altura assuntos ligados aos serviços de informação.
27 de Agosto de 2011 às 12:27
Listagem terá sido enviada por João Luís, director operacional do SIED, para Jorge Silva Carvalho, então director do SIED, com o nome “lista de compras"
Listagem terá sido enviada por João Luís, director operacional do SIED, para Jorge Silva Carvalho, então director do SIED, com o nome “lista de compras' FOTO: Tiago Sousa Dias

De acordo com o semanário ‘Expresso', em causa estão seis páginas A4 com o registo de todos os telefonemas e SMS enviados pelo jornalista entre os dias 19 de Julho e 12 de Agosto do ano passado.

As consultas realizaram-se sem qualquer registo oficial e terão contado com a cooperação de alguém da operadora telefónica, sendo que Nuno Simas tinha um número da Optimus. Ainda segundo o semanário, a listagem terá sido enviada por João Luís, director operacional do SIED, para Jorge Silva Carvalho, então director do SIED, com o nome "lista de compras".

'PÚBLICO' VAI ABRIR INQUÉRITO 

A direcção do jornal 'Público' vai pedir às autoridades competentes a abertura de um inquérito para investigar a alegada espionagem a um jornalista por parte dos serviços de informações secretas, noticiada este sábado pelo semanário Expresso. 

"A direcção do 'Público' já reuniu e entende que deve ser aberto um inquérito para apurar responsabilidades. Vamos contactar com as autoridades e perceber quais são os passos concretos que devem ser dados", afirmou neste sábado à Lusa a directora do jornal, Bárbara Reis, acrescentando que "um caso destes não pode ficar impune".

Para Bárbara Reis, esta é uma notícia "absolutamente extraordinária, um 'News of the World' ao contrário".

"O mundo ficou chocado com o que se passou na imprensa britânica e em Portugal estamos a ver as instituições mais sérias e com responsabilidades altíssimas do Estado a espiarem os cidadãos para interesses próprios, aparentemente mesquinhos e corporativos. É absolutamente inacreditável", disse.

Contactado pela Lusa, Nuno Simas não quis comentar a notícia do 'Expresso'.

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