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Correio da Manhã

Política

Seguro compara 'Impulso Jovem' a "uma aspirina"

O secretário-geral do PS, António José Seguro, considerou esta quinta-feira que o programa 'Impulso Jovem', anunciado pelo Governo na quarta-feira, é "uma aspirina" e é insuficiente. No entanto, sublinhou que todos os contributos para lutar contra o desemprego "vêm no bom sentido".
7 de Junho de 2012 às 21:04
Líder socialista foi visitar a Feira Nacional de Agricultura
Líder socialista foi visitar a Feira Nacional de Agricultura FOTO: Paulo Cunha/Lusa

António José Seguro, que falava durante uma visita à Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, afirmou que o País precisa de "respostas concretas para os problemas dos portugueses que vivem situações dramáticas", referindo em particular os jovens e as pessoas com mais de 50 anos que estão desempregadas.

"Se o Governo fica apenas por aqui está mal, está errado. Isto é uma aspirina, é insuficiente, porque o que é necessário, como tenho dito, é financiar as empresas, garantir que têm capacidade para se financiarem e para produzirem", afirmou.

Comentando a afirmação do primeiro-ministro, Passos Coelho, de que os portugueses têm sido pacientes, Seguro afirmou que os problemas "não se resolvem com mudança de discurso, resolvem-se com mudança de atitude, identificando prioridades".

O líder socialista reafirmou a convicção de que a resposta à crise não pode ser apenas nacional, mas também europeia, saudando a "aproximação" do Governo às posições do PS. "Espero que o primeiro-ministro seja sensível a defender no Conselho Europeu de Junho a emissão de euro-obrigações", declarou.

PREOCUPADO COM A INSTABILIDADE EM ESPANHA

Por outro lado, Seguro garantiu que está a acompanhar a instabilidade no sistema financeiro espanhol "com muita preocupação" e considera que o governo conservador de Madrid "não tem estado a agir da melhor maneira". 

Referindo o facto de cerca de um quarto das exportações portuguesas terem como destino a Espanha, o líder socialista sublinhou a "relação muito directa" entre as economias dos dois países.

 


"O que desejo é que a Europa, ao fim de quatro anos de aplicar uma receita da senhora Merkel - que tem o melhor aluno no doutor Pedro Passos Coelho -, possa corrigir o tiro já no Conselho Europeu de Junho", afirmou.

Já após as declarações de António José Seguro, a agência de notação Fitch anunciou um corte na classificação ('rating') de Espanha de A para BBB, uma descida de três escalões, que coloca o país a dois níveis de ser considerado 'lixo'.

Segundo a agência, um dos factores que levou à baixa da classificação de Espanha e a colocar o país em perspetiva negativa, foi a situação da banca espanhola, que terá uma necessidade de financiamento de 60 mil milhões de euros de financiamento.

A Fitch considera que a necessidade de reestruturação e de recapitalização do sector bancário espanhol "é estimada em cerca de 60 mil milhões de euros", seis por cento do Produto Interno Bruto (PIB), mas que em cenário de maior crise pode atingir os 100 mil milhões de euros, cerca de nove por cento do PIB.

Outro dos factores para a descida do 'rating' espanhol foi "a flexibilidade do governo espanhol em intervir decisivamente na reestruturação do sector bancário", aumentando "a probabilidade de apoio financeiro externo".

Segundo a agência de notação, "a erosão dramática de perfil de crédito soberano e classificações da Espanha no ano passado reflecte, em parte, erros de política a nível europeu" que, na opinião da Fitch, "agravaram os desafios económicos e financeiros que Espanha enfrenta".

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