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Correio da Manhã

Política
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Seguro: Segundo resgate "parece inevitável"

Líder do PS espera que o Governo não esteja já a negociar um novo resgate "nas costas dos portugueses".
8 de Julho de 2013 às 13:51
António José Seguro falava em conferência de imprensa conjunta com o presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, Hannes Swoboda
António José Seguro falava em conferência de imprensa conjunta com o presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, Hannes Swoboda FOTO: Lusa

O secretário-geral do PS considerou esta segunda-feira que "parece inevitável" um segundo resgate ou um segundo programa de assistência a Portugal e afirmou esperar que o Governo não esteja já a negociar "nas costas dos portugueses".

António José Seguro falava em conferência de imprensa conjunta com o presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, Hannes Swoboda, após um encontro entre ambos na sede nacional do PS.

Interrogado sobre a possibilidade de estar já a ser negociado um novo programa cautelar de assistência externa a Portugal, o líder socialista aproveitou para deixar uma advertência ao Executivo: "Não quero acreditar que seja verdade que esse programa já esteja a ser negociado".

"Se isso é verdade, então está a ser negociado nas costas dos portugueses. O PS não tem conhecimento de nenhuma proposta por parte de Portugal", acentuou António José Seguro.

Para o líder do PS, o atual Governo "falhou e o País vive uma situação extremamente difícil".

"O segundo resgate, ou um segundo programa, parece inevitável fruto do falhanço deste Governo. Qualquer negociação não pode ser feita nas costas dos portugueses. Essa negociação tem de ser clara e deve ser feita por um novo Governo, com legitimidade democrática", advogou o secretário-geral do PS.

CRISE POLÍTICA

Confrontado com o facto de a hipótese de crise política em Portugal, na semana passada, ter dado origem a uma trajetória de afundamento da Bolsa de Lisboa, a par de uma subida drástica dos juros da dívida a dez anos nos mercados internacionais, António José Seguro sustentou que "os mercados reagiram a factos".

"O único facto que houve foi resultado da irresponsabilidade dos líderes do Governo: Duas demissões, uma delas [a de Paulo Portas] com as consequências que o País está a viver e com os prejuízos que foram evidentes para Portugal", respondeu o líder socialista.     

ENCONTRO COM CAVACO SILVA 

Em relação à audiência com o Presidente da República, Cavaco Silva, na terça-feira, António José Seguro recusou-se a dizer o que dirá ao Chefe de Estado.

"O PS que um Governo coeso, competente e confiável que resolva os problemas dos portugueses e prepare o futuro dos portugueses. Essa é a obrigação e a responsabilidade do PS", frisou mais à frente, antes de considerar "inevitável para Portugal um novo Governo".

"As eleições são um instrumento para que esse novo Governo tenha a legitimidade e a força política necessárias. Precisamos de ter à frente do País um Governo que tenha o País atrás de si, que seja confiável, que os portugueses depositem esperança e que faça aquilo que prometeu nas eleições", salientou o secretário-geral do PS.

ABORDAGEM EUROPEIA 

Na conferência de imprensa, António José Seguro criticou também a abordagem política europeia em relação à consolidação das contas públicas, condenando a atual austeridade e defendendo uma aposta na economia, "porque só a economia pode gerar os recursos suficientes para preservar postos de trabalho".

Seguro defendeu ainda uma Europa federal com muito maior integração política, um reforço dos poderes do Banco Central Europeu (BCE) para "combater a especulação nos mercados financeiros e para garantir que países como Portugal possam beneficiar de um financiamento a taxas de juro mais baixas".

Neste contexto, o secretário-geral do PS reiterou que o BCE deverá funcionar como credor de último recurso e que, a curto prazo, o Mecanismo Europeu de Estabilidade deverá ter uma licença bancária para poder emprestar dinheiro a taxas de juro mais baixas a países como Portugal.

"A Europa deve concentrar todos os seus recursos e políticas no combate ao desemprego", acrescentou ainda António José Seguro.

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