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Correio da Manhã

Política
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Seguro: "Terá o PS pela frente se ousar privatizar a CGD"

O secretário-geral do PS advertiu esta sexta-feira o primeiro-ministro que os socialistas se irão opor por todos os meios se o Governo concretizar uma eventual medida de privatização da Caixa Geral de Depósitos (CGD).
21 de Setembro de 2012 às 12:14
Seguro no Parlamento
Seguro no Parlamento FOTO: Lusa

A questão de uma eventual privatização da CGD foi colocada com alguma insistência por António José Seguro no debate quinzenal, na Assembleia da República, mas a única resposta que ouviu do primeiro-ministro foi a de que se recusava a especular sobre cenários em matérias delicadas, que se relacionam com o sistema financeiro.

"No dia em que o Governo tiver de anunciar alguma coisa relevante no que toca à CGD fá-lo-á seguramente e não o fará de forma escondida. No dia em que o Governo tiver alguma medida a tomar sobre a Caixa, não deixará de o fazer e até hoje não é conhecido que o Governo tenha tomado alguma posição no sentido de alterar as condições que hoje existem relativamente à CGD", disse.

Como a resposta de Pedro Passos Coelho não afastou totalmente o cenário da privatização da CGD, o secretário-geral do PS passou ao ataque político, através de uma série de avisos.

"A sua resposta é elucidativa, mas quero dizer-lhe uma coisa e olhe bem para mim: Terá o PS pela frente se ousar privatizar a CGD. Não ouse, porque terá o PS pela frente", repetiu, recebendo uma prolongada salva de palmas da bancada socialista.

Neste tema da alegada privatização da CGD, o primeiro-ministro apelou ao líder dos socialistas para que haja alguma prudência.

"Senhor deputado António José Seguro, espero que a resposta que lhe dei relativamente a uma matéria tão sensível como a do sistema financeiro e da CGD não conte da sua parte com mais nenhum esforço de especulação", disse.

Neste contexto, António José Seguro também advertiu que o Governo terá pela frente "se persistir em manter, ainda que de forma calibrada, ou modulada, a sua proposta de TSU"."Se insistir, significa que não respeita o país, não conhece os portugueses, não atribui valor ao trabalho dos portugueses e, por isso, transfere rendimentos do trabalho parta as entidades patronais", disse.

O secretário-geral do PS explorou também alegadas divergências e contradições no Governo ao nível do discurso.

Segundo Seguro, o ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, terá desmentido Passos Coelho quando anunciou que 2013 seria ano de recessão e não de recuperação.

"Como é que o país pode confiar num Governo quando o seu ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, o desautoriza em pública, dizendo em público que discordar da medida da TSU, que o senhor primeiro-ministro anunciou com pompa e circunstância", acrescentou.

Nesta questão da TSU, Pedro Passos Coelho salientou que "a medida de desvalorização fiscal" estava no memorando da troika  assinado pelo executivo de José Sócrates.

Seguro contrapôs que a descida TSU para os empregadores, com base num aumento das contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social, "não consta em lado algum no memorando".

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