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Correio da Manhã

Política
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Seguro: Troika disponível para ouvir propostas do PS

O líder do PS, António José Seguro, disse esta sexta-feira ter sentido uma maior disponibilidade por parte dos responsáveis da troika para ouvirem as propostas e alternativas dos socialistas, mas admitiu que essa disponibilidade poderá não ter qualquer consequência.
1 de Março de 2013 às 18:37

"Senti uma maior disponibilidade para escutarem as propostas e as alternativas que o PS apresentou", afirmou o secretário-geral do PS, António José Seguro, em conferência de imprensa na sede do partido, no final de uma reunião com os representantes da troika da Comissão Europeia, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu que estão em Portugal para a sétima avaliação do programa de ajustamento financeiro.

Escusando-se a divulgar as posições dos elementos da troika, António José Seguro explicou que refere a existência de "uma maior disponibilidade" porque "quiseram saber melhor, porque fizeram mais perguntas, porque quiseram aprofundar".

"Não posso dizer mais do que isso", acrescentou.

O líder socialista confessou, contudo, ter "fundado receio que essa disponibilidade não passe disso mesmo".

"Temo que essa disponibilidade não seja suficiente para agir a tempo e horas e corrigir a rota de estratégia que tem vindo a ser seguida", afirmou, preconizando que este é momento de optar e não de fazer "pequeninas alterações".

"E a opção que nós defendemos é a da mudança da política de austeridade do custe o que custar para uma politica que alie o crescimento económico, que dê prioridade ao emprego e que o faça com disciplina e com rigor orçamental", declarou.

Sobre a reunião que manteve durante hora e meia com os responsáveis da 'troika', António José Seguro adiantou que transmitiu "aquilo que os portugueses pensam": "Portugal está à beira de uma tragédia social, bem patenteada no elevado número de desempregados, nas falências, nas insolvências e na espiral recessiva em que se encontra a nossa economia".

"Transmiti à troika que a estratégia de saída da crise falhou, que é necessário parar e mudar de caminho, que é necessário parar com a austeridade e que é necessário mudar para um caminho que concilie o crescimento económico com o rigor e com a disciplina orçamental", disse.

No encontro, acrescentou ainda António José Seguro, foram apresentadas aos responsáveis da troika as cinco propostas alternativas que o PS levou esta sexta-feira ao Parlamento, que se consubstanciam em medidas concretas como a redução do IVA para a restauração, o aumento de salário mínimo nacional e das pensões mais baixas negociados na concertação social, entre outras.

"Os portugueses não aguentam mais sacrifícios", reiterou.

Interrogado sobre a resposta que o presidente da Comissão Europeia lhe enviou à carta que tinha escrito em fevereiro aos líderes das instituições que integram a troika, António José Seguro considerou que mais importante que a missiva foi a reunião que manteve com José Manuel Durão Barroso há cerca de duas semanas em Bruxelas.

"Tenho mantido um diálogo profícuo" com o presidente da Comissão Europeia, referiu.

O líder do PS reconheceu, contudo, estar "muito insatisfeito" com as atitudes dos líderes europeus a lidar com a crise, reiterando que são necessárias medidas mais rápidas e "robustas" e uma "atitude política completamente diferente daquela que neste momento existe".

À saída da sede do PS, os representantes da troika foram confrontados com uma manifestante com um cartaz escrito em inglês onde se lia "o meu país precisa de trabalho, saúde, educação e a Europa precisa de revolução".

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