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Correio da Manhã

Política
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SEM PROTAGONISMOS

Maria Barroso não compareceu na cerimónia de tomada de posse do novo presidente da Cruz Vermelha, mas tanto o empossado como o ministro da tutela fizeram questão de a colocar no centro das atenções. Nogueira de Brito e Paulo Portas não resistiram a deixar vários recados à presidente cessante.
12 de Julho de 2003 às 00:00
A tomada de posse de Nogueira de Brito contou com a presença de vários membros do Governo
A tomada de posse de Nogueira de Brito contou com a presença de vários membros do Governo FOTO: tiago petinga/lusa
Sem nunca referir directamente o nome da ex-primeira dama, Paulo Portas lembrou que a Cruz Vermelha presta um serviço que "não se compadece com protagonismos" e que "é preciso pôr esta sucessão no seu devido lugar". Só depois do discurso, já em conversa com a Comunicação Social, é que o ministro da Defesa assumiu que estava a referir-se a Maria Barroso.
Aproveitando a ocasião para deixar mais algumas farpas, lembrou que os únicos protagonistas na Cruz Vermelha"são as pessoas que necessitam e que recebem" e que "quem dá de si não espera reconhecimentos".
Já Nogueira de Brito fez questão de referir-se directamente à sua antecessora no discurso de tomada de posse, manifestando-se honrado por substitui-la no cargo. Mas ainda assim o ex- -deputado do CDS-PP não deixou de prestar alguns esclarecimentos sobre a polémica que rodeou a sua escolha para o cargo.
Assegurou que só aceitou ser indigitado para a presidência da Cruz Vermelha depois de se certificar "que se tratava de uma mudança natural de poder no final de um mandato". Fez ainda questão de referir que o seu nome foi escolhido pelo Conselho Superior da Cruz Vermelha e defendeu que os governos "não têm de se demitir de exercer a sua tutela" sobre as instituições, desde que o façam no cumprimento da lei.
Polémicas à parte, a cerimónia de tomada de posse foi bastante concorrida. O primeiro-ministro presidiu à sessão e os ministros da Saúde, Educação, Ensino Superior e Obras também estiveram presentes. O CDS-PP também teve uma representação de peso, desde o número dois do partido, Luís Nobre Guedes, ao secretário-geral, Pedro Mota Soares, além do deputado João Rebelo e o eurodeputado Ribeiro e Castro. l
POLÉMICA SEGUE NO PARLAMENTO
A tomada de posse de Nogueira de Brito não pôs fim à polémica criada em torno da sucessão de Maria Barroso à frente da Cruz Vermelha. O ministro da Defesa, que tutela a instituição vai segunda-feira à Assembleia da República explicar o processo.
Os partidos da oposição não gostaram da forma como Maria Barroso foi afastada do cargo. O Governo considerou terem havido irregularidades nas eleições onde a ex-primeira dama se recandidatava ao cargo. Na sequência da anulação das eleições, a então presidente da Cruz Vermelha recusou-se a fazer parte da nova lista de candidatos e acusou Paulo Portas de "intromissão abusiva" no processo eleitoral e de falta de frontalidade.
De acordo com os estatutos da instituição, Maria Barroso poderia concorrer a um terceiro mandato à frente da instituição, mas Portas considerou que não faria sentido abrir uma excepção, já que, tradicionalmente, os presidentes da Cruz Vermelha cumprem um ou dois mandatos.
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