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Correio da Manhã

Política

Sempre achei que ele seria um grande líder

Na noite de 20 de Fevereiro, Pedro Ribeiro e Castro chorou. Aquele rosto, captado pelas televisões, era o espelho do desalento e inconformismo que lhe ia na alma – o líder Paulo Portas acabava de se demitir, face à derrota do CDS/PP nas eleições legislativas.
1 de Maio de 2005 às 00:00
Pedro Ribeiro e Castro diz que o seu pai, José Ribeiro e Castro, 'confia no trabalho' dos deputados do CDS
Pedro Ribeiro e Castro diz que o seu pai, José Ribeiro e Castro, 'confia no trabalho' dos deputados do CDS FOTO: Vítor Mota
Dois meses depois, foi sem surpresas que Pedro, de 23 anos – militante desde a primeira hora e filho de José Ribeiro e Castro –, viu o pai ser aclamado em Congresso e chegar à liderança do partido que o viu nascer: “Faço campanha com o meu pai desde que me conheço e sempre achei que ele seria um grande líder para o CDS. Aliás, disse-o quando se falou em sucessão e fui a primeira pessoa a incentivá-lo para avançar”, conta Pedro Ribeiro e Castro ao Correio da Manhã.
Mas a sucessão esteve longe de ser pacífica e Telmo Correia, o opositor, era apontado como grande favorito à vitória no Congresso. Pedro concorda e considera que os ‘trunfos’ que conduziram o pai à vitória ‘saíram’ dos dois discursos que proferiu: “O primeiro da reviravolta e o segundo da confirmação”.
Ou seja, a ‘chave’ para o triunfo de José Ribeiro e Castro surgiu, precisamente, de características que muitas vezes era acusado de não ter: carisma e dotes oratórios, que se traduzem em capacidade de mobilização. O filho Pedro não concorda com esta ‘leitura’ e dá exemplos: “O meu pai já foi porta-voz do CDS, da mesma forma que em assembleias do Benfica teve discursos bastante inflamados”. E considera que o actual presidente do CDS/PP “tem carisma para ser um grande líder. As pessoas vão sentir esse carisma quando realizarem que as ideias do meu pai são as melhores para o País”.
PRESIDÊNCIA À DISTÂNCIA
A presidência do partido, aliada ao cargo de eurodeputado em Bruxelas, não vai, segundo Pedro Ribeiro e Castro, “alterar nada” na vida do pai, que dorme “três a quatro horas por dia”. “A distância é relativa e ele já se disponibilizou a correr o País todo. Esta semana, por exemplo, só esteve dois dias em Bruxelas”, diz.
E Pedro explica porque é que o argumento da distância “não pode vencer”: “Seria discriminatório para qualquer militante do Norte, Sul ou Interior do País que está longe de Lisboa. O País não se resume ao Largo do Caldas e Bruxelas está a apenas 02h30 de Lisboa”.
Quanto ao facto de dez dos 12 deputados do partido terem votado ‘com’ Telmo Correia, Pedro considera que isso não será nenhum entrave à liderança: “O meu pai confia no trabalho deles e espera de todos o mesmo empenho de sempre. Sem ressentimentos. E a prova disso é que convidou o próprio Telmo Correia para a vice-presidência do partido. O objectivo é abrir portas, dentro e fora do partido”, diz.
"NÃO UTILIZO O MEU PAI COMO TRAMPOLIM"
Com apenas 23 anos, Pedro Ribeiro e Castro há muito que despertou para a política. Ao lado do pai, lembra-se por exemplo de ter feito campanha nas presidenciais de 1986, por Freitas do Amaral, ou no primeiro referendo sobre o aborto, em 1984.
Filiado no CDS e Juventude Popular (JP) desde os 18 anos, afirma que não o fez por ser filho de quem era: “Fi-lo por convicção e porque senti o programa do partido”. Foi nessa altura que conheceu João Almeida, líder da JP.
“Tenho tido sempre uma boa relação com o João Almeida e ele, na altura, convidou-me para integrar a direcção da JP. Mais tarde propôs-me ser vice-coordenador do gabinete de estudos da JP, cargo que ainda desempenho.”
Actualmente afastado da direcção, é assim que Pedro quer continuar, pelo menos para já.
“A vitória do meu pai motiva-me mas não quero posições de destaque”, diz. E o motivo é simples: “Não quero que as pessoas pensem que utilizo o meu pai como ‘trampolim’, ou que ele mexe os ‘cordelinhos’ para me promover. A JP é uma organização autónoma do partido e o meu pai respeita essa autonomia. Da minha parte procuro apenas responder aos desafios que me lançam, da melhor forma que sei”. Quanto à polémica causada pelo convite de Telmo Correia ao presidente da JP, João Almeida, para secretário-geral do partido, caso vencesse o Congresso, Pedro Ribeiro e Castro diz que não estranhou, até porque “eles são grandes amigos”.
“Os membros da Comissão Política Nacional da JP, orgão ao qual não pertenço, decidiram que o voto no Congresso seria livre. No caso do João Almeida, ele até já me tinha confidenciado a sua opção de voto em Telmo Correia, antes de a tornar pública. Não fiquei, por isso, nada magoado”, afirma. Recorde-se que, dos 1300 votos em causa no Congresso, 110 pertenciam à JP.
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