Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
5

Seria favorável à prática da eutanásia

A Assembleia da República realiza hoje a primeira sessão da nova legislatura. Com 121 deputados, o PS tem, pela primeira vez, uma maioria absoluta, contra 75 do PSD, 14 do CDU, 12 do CDS-PP e oito do BE. O CM questionou duas deputadas, de diferentes ideologias, sobre temas que vão marcar os próximos quatro anos.
10 de Março de 2005 às 00:00
Considera que a Lei do Abortodeve ser alterada para despenalizar criminalmente as mulheres?
A lei de despenalização do aborto deve ser alterada o mais rapidamente possível. Não faz sentido que em Portugal, um País ocidental e democrático, se mantenha esta perseguição verdadeiramente medieval sobre as mulheres.
Admite a hipótese de a eutanásia, tema que está na ordem do dia, poder ser permitida em Portugal?
Seria favorável. Quando nos batalhamos na política, lutamos pela autonomia e dignidade da pessoa humana. A pessoa tem de ter a liberdade de escolher para ela própria a forma como acha que vive.
É favorável à introdução na lei de quotas obrigatórias para mulheres na Assembleia da República?
Acho que o papel do Estado é equilibrar os desequilíbrios que existem na sociedade. Há duas interpretações para a fraca presença de mulheres na política: uma é de que elas não são capazes de estar na vida política; a outra é que há mecanismos de discriminação nos partidos. Eu não digo que esta discriminação seja activa, que seja contra as mulheres, mas há mecanismos culturais na forma de como nós vemos o papel dos homens e das mulheres. O Estado e a política servem para mudar e transformar a cultura e a mentalidade. As quotas servem para subverter esses mecanismos culturais.
Concorda com a redução do número de deputados, no âmbito de uma reforma do sistema eleitoral?
A redução do número de deputados leva, em geral, à maior exclusão das mulheres na vida política. Acho que não favorece nada do que deve ser o bom funcionamento da instituição representativa. Penso que mais pessoas permite mais discussão, mais possibilidade de termos na representação parlamentar pessoas vindas de diferentes sectores sociais o que torna o debate mais rico. Acho que número actual tem provado que é aceitável e a sua redução levaria à exclusão de segmentos sociais.
O aumento dos salários dos políticos poderá atrair os quadros mais competentes para a vida política?
Acho que é uma falsa questão. Acho que a ida para a política é uma decisão que funciona sob a lógica da responsabilização e de fazer um combate político que se considere verdadeiramente importante. Acho que o salário que hoje em dia os deputados auferem não é indigno e portanto acho que é essa a responsabilização fundamental: os deputados serem pagos pelo seu trabalho, mas também terem um remuneração que seja digna daquela que é a sua enorme responsabilidade que é ser representante das pessoas. Acho que os salários dos políticos que hoje em dia existem, face ao que são os níveis salariais em Portugal, são perfeitamente dignos.
PERFIL
Ana Drago nasceu há 29 anos em Lisboa, mas foi em Coimbra que fez grande parte da sua vida. Licenciou-se em Sociologia na Universidade de Coimbra e está, neste momento, a preparar o doutoramento. Trabalhou no Jornal Académico da universidade e tem um livro publicado. Membro da Comissão Permanente do BE, já foi deputada durante cinco meses em substituição de Luís Fazenda.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)