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Correio da Manhã

Política
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Severiano impõe nome a Pinho

O embaixador de Portugal em Washington, Pedro Catarino, vai ser o novo presidente da Comissão Permanente de Contrapartidas (CPC), a entidade responsável pela gestão do investimento estrangeiro obtido por Portugal como contrapartida do reequipamento das Forças Armadas.
19 de Novembro de 2006 às 00:00
Com um investimento estrangeiro de quase três mil milhões de euros para gerir nos próximos anos, a presidência da CPC é um cargo apetecível. Ao que o CM apurou, a sucessão de Rui Neves à frente da CPC gerou uma forte tensão entre os ministros da Defesa, Severiano Teixeira, e da Economia, Manuel Pinho, que têm a tutela conjunta da CPC.
Manuel Pinho, segundo garantem fontes conhecedoras do processo, propôs o nome de Helena Loureiro, actual vice-presidente da CPC, para a presidência, mas Severiano Teixeira vetou-a, por considerar que o perfil não era o adequado.
Com quase dois mil milhões de euros de investimentos em contrapartidas por executar, o ministro da Defesa pretendia um diplomata com experiência em assuntos militares. E o embaixador Pedro Catarino corresponde a isso. A 5 de Dezembro, Catarino faz 65 anos, e passa à condição de disponibilidade em serviço. Por isso, só tomará posse após essa data. E não terá uma missão fácil, dado que está em causa a concretização de investimentos pela compra de submarinos, helicópteros, carros de combate, torpedos, aviocares e F16.
EMBAIXADOR COM VOCAÇÃO EMPRESARIAL
O embaixador Pedro Catarino não é propriamente um inexperiente em assuntos económicos e militares. Nascido a 5 de Dezembro de 1941, foi nomeado vogal do concelho de administração da Agência Portuguesa para o Investimento (API), o organismo criado pelo Governo de Durão Barroso para atrair o investimento estrangeiro, em 2002.
Embaixador de Portugal em Washington desde esse ano, capital da maior potência militar mundial e por onde passam muitos negócios militares, Pedro Catarino tem também experiência na Defesa: entre 1973 e 1979 e entre 1983 e 1989, passou pela NATO, tendo pertencido ao Secretariado Internacional. Quando completar 65 anos de idade, a 5 de Dezembro, fica na condição de “disponibilidade em serviço”: nesta situação, os embaixadores podem ser chamados para exercer funções ou podem ficar em casa até receber a jubilação.
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