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Correio da Manhã

Política
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Silva Carvalho "vinha barato"

O ex-diretor-geral do Serviços de Informações Estratégicas de Defesa ganhava na Ongoing 10 mil euros por mês, mais carro e serviço de saúde.
13 de Abril de 2014 às 10:54
Silva Carvalho saiu das ‘Secretas’ e entrou na Ongoing
Silva Carvalho saiu das ‘Secretas’ e entrou na Ongoing FOTO: Pedro Catarino

A contratação do ex-diretor-geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e arguido no ‘Caso das Secretas’, Jorge Silva Carvalho, para a Ongoing em 2010 não foi pacífica. Rafael Mora, vice-presidente da empresa, e James Risso Gill, administrador não executivo, opuseram-se, mas Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing, fez valer a sua posição dizendo que ele "vinha barato".

De acordo com o depoimento de Risso, que consta do despacho de pronúncia, Vasconcellos referiu que Silva Carvalho "vinha abaixo dos valores praticados" e que "a razão do preço baixo do mercado residira no facto de o arguido Silva Carvalho ver naquele trabalho um enorme potencial de crescimento para a carreira".

Segundo consta no documento, o ex-diretor do SIED, que vai a julgamento pelos crimes de corrupção passiva, violação do segredo de Estado, abuso de poder e acesso indevido a dados pessoais, ganhava na Ongoing 10 mil euros por mês, mais serviço de saúde, extensível à família, carro e um bónus, dependente do cumprimento das metas e objetivos da empresa. Acontece que, conforme se pode ler no despacho, esse prémio de desempenho "nunca foi pago".

As condições remuneratórias foram combinadas entre Silva Carvalho e Nuno Vasconcellos, este último vai responder em julgamento pelos crimes de corrupção ativa e violação do segredo de Estado.

Lamento por Vasconcellos

Jorge Silva Carvalho confessou ao Correio da Manhã que “lamentava muito” a forma como o presidente da Ongoing, Nuno Vasconcellos, foi tratado na instrução do processo.

Segundo referiu, o seu patrão na Ongoing, de quem se tornou amigo na maçonaria, entendeu pedir a instrução do processo porque estava convencido de que tudo “ficaria resolvido”. “Vasconcellos é completamente inocente nesta situação”, disse o ex-diretor-geral do SIED, que, pela sua parte, sempre quis o julgamento, prescindindo de todos os trâmites processuais.

A indignação de Silva Carvalho tem aque ver com o facto de o presidente da Ongoing ter sido acusado de corrupção, um crime que “deixa uma marca negativa nas pessoas”. Neste caso, acrescenta, “foi propositado para o expor na praça pública”.

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