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Correio da Manhã

Política
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Silva Carvalho vítima de espiões

Jorge Silva Carvalho suspeita ter sido alvo do mesmo tipo de espionagem a que foi sujeito o jornalista do ‘Público’ Nuno Simas. Fonte próxima do actual quadro da Ongoing e ex-director do SIED, Silva Carvalho, diz ao CM que pode "existir um registo de telefonemas dele em tudo idêntico ao que foi publicado sobre o jornalista Nuno Simas".
10 de Setembro de 2011 às 00:30
Júlio Pereira pode ser substituído por Paulo Vizeu (à dta.)
Júlio Pereira pode ser substituído por Paulo Vizeu (à dta.) FOTO: Fotomontagem CM

A mesma fonte vai ainda mais longe: "A transcrição dos telefonemas de Silva Carvalho foi executada na altura da campanha eleitoral, quando estava a colaborar no programa do PSD". Ou seja, ainda em Junho, quando o então secretário-geral do PSD e actual ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, adiantou ter recebido uma carta anónima onde se falava da existência de escutas ilegais a dirigentes do PSD.

Relvas apresentou queixa na altura e, já em Julho, depois da vitória do PSD nas eleições de 5 de Junho, a Procuradoria-Geral da República decidiu abrir um inquérito crime ao ocorrido.

Tal como Silva Carvalho, também o actual secretário--geral do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, colaborou no programa eleitoral do PSD, com uma proposta que previa a fusão dos serviços secretos – Serviço de Informações EstratégicAs de Defesa (SIED) e Serviço de Informações de Segurança (SIS) – num só organismo comum. Silva Carvalho pode ainda voltar a ser chamado à Comissão de Assuntos Constitucionais. O presidente da comissão, o social-democrata Fernando Negrão, lembrou que foi Silva Carvalho quem pediu há dois meses para ser ouvido.

Enquanto isto, o embaixador Paulo Vizeu Pinheiro, que esteve em Bruxelas com Durão Barroso e ocupa actualmente a assessoria diplomática do primeiro-ministro, é o nome no topo da lista do Governo para substituir Júlio Pereira como director-geral do SIRP.

PERFIL

Paulo Vizeu Pinheiro nasceu em Lisboa a 8 de Novembro de 1963 e é licenciado em Direito pela Universidade Católica. Casado e com três filhos, acompanha Durão Barroso desde que este foi secretário de Estado da Cooperação em 1989. Veio de Bruxelas para ser assessor diplomático de Passos Coelho.

OS DOCUMENTOS DO DEPUTADO SOCIALISTA

A Comissão de Assuntos Constitucionais resolveu ontem reenviar para o Conselho de Fiscalização do SIRP o envelope com remetente anónimo que continha documentos sobre as secretas. O envelope tinha sido entregue pelo deputado do PS Sérgio Sousa Pinto ao presidente da comissão, Fernando Negrão, durante a audição de quarta-feira a Silva Carvalho.

O envelope contém documentos já publicados na imprensa, como é o caso da lista de chamadas telefónicas do jornalista Nuno Simas, mas também várias cópias de e-mails trocados entre alguns dos envolvidos.

O MISTÉRIO DOS DOIS ENVELOPES

O presidente do Conselho de Fiscalização do SIRP, Marques Júnior, terá recebido um envelope com dados sobre a actividade das secretas em tudo semelhantes aos que foram entregues na quarta-feira pelo deputado socialista Sérgio Sousa Pinto na Comissão de Assuntos Constitucionais.

Tal como foi ontem esclarecido pelo próprio presidente da comissão, Fernando Negrão, o envelope continha dois grupos de documentos: "Um primeiro tem a ver com a lista das chamadas telefónicas de um jornalista, que já foi publicada pela comunicação social" e um segundo grupo "com três documentos que se relacionam com cópias de e-mails enviados entre pessoas envolvidas nesta fiscalização que a comissão está a fazer".

Fontes próximas de Silva Carvalho dizem ao CM que "cópias dos mesmos documentos que estavam no envelope do deputado do PS, Sousa Pinto, já tinham sido enviadas para o Conselho de Fiscalização do SIRP". Negrão esclarece que "só com os e-mails, a Comissão de Assuntos Constitucionais não tem indícios de natureza criminal."

Contactado pelo CM, Marques Júnior diz não poder comentar se recebeu ou não um envelope com os mesmos documentos de Sousa Pinto. E limita-se a afirmar: "Não confirmo, nem desminto".

QUEIXA PODE NÃO SER APRESENTADA

O jornal ‘Público’ pode recuar na intenção de apresentar queixa na PGR para se investigar se o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) "espiou" ou não o telemóvel do ex-jornalista daquele diário, Nuno Simas, "com o objectivo de descobrir as eventuais fontes do jornalista". O ‘Expresso’ revelou que o SIED teve acesso à factura detalhada das chamadas e das mensagens do profissional. Contactada pelo CM, Bárbara Reis, directora do jornal, afirmou que nada podia adiantar porque o assunto ainda estava no gabinete de advogados e que só na segunda-feira haverá uma decisão. Um recuo face à posição assumida a 30 de Agosto, que pedia um inquérito para apurar responsabilidades.

DIREITO DE RESPOSTA

Na secção de Política, pág. 30, da edição de 8 de Setembro de 2011 do Correio da Manhã, refere-se que o signatário terá sido co-autor da proposta eleitoral do PSD para fundir SIS e SIED. Na edição de 9 de Setembro de 2011, na secção Actualidade III, diz-se expressamente: "...Júlio Pereira, colaborou no programa eleitoral do PSD, com uma proposta que previa a fusão dos Serviços Secretos".

Sobre o teor de tais notícias solicito, Senhor Director, ao abrigo do direito de rectificação previsto nos artigos 24º e seguintes da Lei de Imprensa, a publicação dos seguintes esclarecimentos:

1º O signatário nunca colaborou no programa eleitoral de qualquer partido político.

2º Sendo Magistrado do Ministério Público, ainda que em comissão de serviço no SIRP, considera que lhe está estatutariamente vedada a participação em iniciativas de natureza político-partidária.

Com os melhores cumprimentos,

O Secretário-Geral do Sistema de Informações da República Portuguesa

Júlio Alberto Carneiro Pereira

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