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Correio da Manhã

Política
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Sim duplica o custo do não

A despesa total da campanha do referendo do aborto está calculada em cerca de dois milhões de euros, distribuídos por 29 partidos políticos e movimentos que se encontram na frente da batalha na luta pelo ‘sim’ e pelo ‘não’.
28 de Janeiro de 2007 às 00:00
Do lado do ‘sim’ à despenalização, a soma das várias despesas apresentadas à Comissão Nacional de Eleições é de 1,4 milhões. Os partidos políticos são os que mais contribuem para se atingir esta quantia, reunindo um orçamento de 1 012 788 euros. Dentro deste valor, o Partido Socialista é o representante da maior fatia de gastos, com 598 mil euros orçamentados.
O valor contrasta com o apresentado pelo Partido Operário de Unidade Socialista, que apenas destina 500 euros à campanha pelo ‘sim’.
No que se refere aos movimentos da ala defensora da despenalização do aborto, o orçamento da campanha está calculado em 419 mil euros.
Do lado do ‘não’, o cenário é bem mais modesto. Partidos políticos e movimentos dispõem de 676 484 euros para gastar em meios que lhes permitam lutar pela inalteração da lei. E as despesas estabelecidas pelos movimentos são maiores do que as dos partidos.
Os 14 movimentos pelo ‘não’ reúnem uma despesa de 615 834 euros, enquanto os partidos CDS-PP, Partido Popular Monárquico e Partido Nacional Renovador estabeleceram gastar 60 650 mil euros.
Fora destes cálculos encontra-se o PSD, partido que desde a aprovação do referendo, a 29 de Novembro de 2006, afirmou não ter uma posição oficial sobre esta questão, mas que apresentou, porém, um orçamento de cinco mil euros para participar na campanha.
O referendo de 11 de Fevereiro é o segundo que se realiza em Portugal sobre a despenalização do aborto até às dez semanas de gestação. O primeiro assinalou-se em Junho de 1998 e contava com menos 304 mil portugueses recenseados do que actualmente: 8,4 milhões.
PORQUE...
OS CUSTOS DE UMA CAMPANHA
Movimentos e partidos pelo ‘SIM’
PS - Partido Socialista - 598 000
PCP - Partido Comunista Português - 250 000
BE - Bloco de Esquerda - 133 088
Partido Operário de Unidade Socialista - 500
Partido Humanista - 1200
Partido Ecologista Os Verdes - 30 000
Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim - 262 710
Em Movimento pelo Sim, Interrupção Voluntária da Gravidez ... - 80 500
Médicos Pela Escolha - 13 750
Movimento Voto Sim - 44 050
Jovens pelo Sim - 19 906
Movimentos e Partidospelo ‘NÃO’
CDS-PP – Partido Popular - 50 000
PPM - Partido Popular Monárquico - 10 000
PNR - Partido Nacional Renovador - 650
Plataforma Não Obrigada - 427 735
Norte Pela Vida - 30 250
Minho com Vida - 19 503
Vida, Sempre - 18 000
Escolhe a Vida - 20 000
Mais Aborto Não - 6350
Liberalização do Aborto Não - 14 520
Algarve pela Vida - 20 000
Juntos pela Vida - 14 036
Aborto a pedido? Não - 16 000
Guard’a vida - 10 000
Alentejo pelo Não - 16 940
Diz Que Não - 2000
Diz Não à Discriminação - 500
Sem posição oficial
PSD - Partido Social Democrata - 500 000
PORQUE...
O CM mostra-lhe os argumentos de figuras públicas a favor e contra a interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas.
SIM
"A LEI É HIPÓCRITA E INCOMODA-ME" - DIOGO INFANTE, ACTOR
“O facto de a mulher ser penalizada pela prática do aborto é um acto injusto.A lei é hipócrita e isso incomoda-me enquanto cidadão. O aborto é um problema social, existe e, por isso, temos de lidar com ele, de enfrentá-lo.”
NÃO
"EU RESPEITO A VIDA HUMANA" - GENTIL MARTINS, MÉDICO
“Em termos científicos é indiscutível que a partir do momento em que os cromossomas de um homem e de um mulher se fundem inicia-se um ser diferente, uma vida humana em desenvolvimento. Eu respeito a vida humana, ela é inviolável.”
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