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Correio da Manhã

Política
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Sinais de gestão danosa na Gebalis

A Polícia Judiciária (PJ) já terminou a investigação à Gebalis – Gestão de Bairros Municipais de Lisboa – e recolheu elementos que apontam para a prática de gestão danosa nesta empresa municipal. A par dos indícios deste crime, as investigações da PJ detectaram também, segundo apurou o CM, indícios dos crimes de peculato e de abuso de poder.
2 de Outubro de 2008 às 00:30
Empresa que gere bairros sociais de Lisboa suspeita de gestão danosa
Empresa que gere bairros sociais de Lisboa suspeita de gestão danosa FOTO: Vítor Mota

O relatório da investigação da PJ já está, segundo referia o ‘Expresso’ on-line de ontem, no Ministério Público, em concreto na 9ª secção. A partir da informação contida no relatório, o Ministério Público irá decidir se deduz ou não a acusação contra os suspeitos das práticas dos crimes de gestão danosa, peculato e abuso de poder. Para já, garante fonte conhecedora do processo, os investigadores propõem ao Ministério Público que seja feita acusação.

Certo é que o Ministério Público toma conta do caso Gebalis numa altura em que já tem em mãos o processo sobre a atribuição de casas do património urbanístico disperso da Câmara de Lisboa, onde Pedro Santana Lopes e Helena Lopes da Costa, ex-presidente da Câmara de Lisboa e ex-vereadora da Habitação da autarquia alfacinha, já foram constituídos arguidos.

Com um universo de 24 mil fogos para gerir, a Gebalis começou a ser investigada pela PJ em 2007. A própria Câmara de Lisboa mandou fazer uma auditoria àquela empresa municipal, com ênfase às obras realizadas entre 2001 e 2006. Entre 2002 e 2005, a empresa teve como director-geral Sérgio Lipari.

E-MAIL ORIGINOU AUDITORIA

Um e-mail enviado aos serviços da Câmara de Lisboa a denunciar irregularidades na Gebalis e a acusar Lipari Pinto de, enquanto director-geral da empresa, lá colocar 60 militantes do PSD, levou a actual vereadora da Habitação e Acção Social, Ana Sara Brito, a desencadear um processo de auditoria interna no início do ano.

Desde então, tornaram-se frequentes as visitas da Polícia Judiciária à Gebalis , onde foi solicitado o acesso a documentos e a computadores da empresa. Em Abril de 2007, um relatório à actuação da Gebalis, elaborado pelo departamento de auditoria interna da CML, detectou irregularidades, como o fraccionamento da despesa em empreitadas, obras lançadas por concurso limitado e ajuste directo. Foram analisadas obras lançadas entre 2001 e 2006.

SAIBA MAIS

Má gestão

Má gestão e descontrolo dos custos de empreitadas foram as principais irregularidades apontadas no relatório sobre a actividade da empresa municipal lisboeta Gebalis, conhecido em 2007.

1995

Foi criada a Gebalis, com a competência para administrar os bairros lisboetas, preservar a qualidade de vida dos cidadãos e conservar o património.

24 mil

Número de fogos camarários geridos pela Gebalis, empresa municipal responsável pela gestão dos bairros municipais de Lisboa.

Lipari Pinto

Lipari Pinto foi director-geral da Gebalis durante o executivo de Santana Lopes e, mais tarde, vereador de Habitação e Acção Social, tutelando a empresa.

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