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Correio da Manhã

Política
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Situação da CGD foi "maquilhada" para anunciar "saída limpa"

António Costa abordou o assunto Caixa Geral de Depósitos numa entrevista à RTP.
5 de Dezembro de 2016 às 22:02
António Costa, primeiro-ministro
António Costa, primeiro-ministro FOTO: André Kosters/Lusa
O primeiro-ministro, António Costa, disse, esta noite em entrevista à RTP, que, no passado, a situação da Caixa Geral de Depósitos foi "maquilhada" para que fosse possível anunciar a "saída limpa" do programa de resgate. 

"O que aconteceu, seguramente, no passado, foi maquilhar uma situação que permitisse anunciar uma saída limpa. Assim que a saída limpa aconteceu, começaram a surgir os problemas", garantiu. 

Tudo o que foi acordado com António Domingues foi "escrupulosamente cumprido"
Costa defendeu que o Governo cumpriu "escrupulosamente" com tudo aquilo que acordou com o presidente demissionário da Caixa Geral de Depósitos (CGD), António Domingues.

Reconhecendo que "não se pode negar que houve um conjunto de episódios que certamente não são positivos" em torno da CGD, Costa frisou, contudo, que, no que refere ao presidente executivo do banco ainda em exercício, o executivo cumpriu com o acordado.

A "luz verde prévia da Comissão Europeia ao plano de recapitalização" do banco, o "respeito pelo compromisso que a CGD tivesse um regime salarial compatível com o sistema de mercado" e o cumprir da "garantia de que não seria aplicado o estatuto de gestor público" aos administradores do banco foram os fatores acordados com António Domingues destacados por Costa.

Regras europeias devem mudar mas até lá Portugal tem de as cumprir
Costa reconheceu que há regras europeias que devem ser "ajustadas" e "mudadas", nomeadamente no plano da dívida, mas reconheceu que enquanto tal não suceder Portugal tem de as cumprir.

O chefe do Governo reconheceu que, no conjunto da União Europeia (UE) devem ser "ajustadas" várias regras, sendo necessário dar "prioridade à convergência económica", permitir o "recuperar do empobrecimento" e da "estagnação prolongada" existente desde o arranque do euro e "também, necessariamente," lidar com o problema do "elevado nível de endividamento que assimetricamente se foi desenvolvendo no conjunto da UE".

"As regras devem ser mudadas. Mas enquanto não forem mudadas, devemos cumprir as regras. É assim que devemos ter uma participação ativa no quadro da UE", comentou António Costa, que reconheceu neste ponto - a Europa - haver uma posição diferente entre o Governo e o PS daquela que defendem os outros partidos à esquerda, nomeadamente PCP e Bloco de Esquerda (BE).
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