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Correio da Manhã

Política
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Só Carmona limpou cartazes

Foi uma das dez primeiras medidas anunciadas por António Costa em período de campanha caso vencesse as intercalares; “desencadear uma acção de limpeza de emergência da cidade”. O socialista venceu, mas não foi o primeiro a dar o exemplo no que se refere à remoção de cartazes de campanha. Quarenta e oito horas após as eleições, apenas Carmona Rodrigues tinha limpo Lisboa.
19 de Julho de 2007 às 00:00
Partidos e movimentos concorrentes às intercalares já arrancaram com limpeza da cidade
Partidos e movimentos concorrentes às intercalares já arrancaram com limpeza da cidade FOTO: Pedro Catarino
“Não queremos contribuir para a poluição da cidade e, por isso, logo na terça-feira à noite procedemos à remoção de todos os cartazes de campanha”, afirma fonte da candidatura de Carmona Rodrigues.
O novo presidente da Câmara de Lisboa, cuja tomada de posse se assinala a 1 de Agosto, também iniciou a retirada de propaganda terça-feira, mas esta ainda não está completa. “Temos uma empresa a tratar da situação, admito que o processo possa estar concluído ainda hoje [ontem]”, disse fonte próxima de António Costa. “Temos que ser coerentes com as medidas que anunciamos e não faz sentido prolongar a exposição dos outdoors, são passado”, comenta.
A eleita Helena Roseta adianta ao CM que os cartazes políticos da campanha Cidadãos por Lisboa estão “praticamente todos retirados”. “Só faltam as torres e tarjas”, adianta a arquitecta, explicando que estes terão um trato especial. “Serão removidos com mais cuidado porque vamos reciclar em sacos e almofadas”.
José Sá Fernades não seguirá os bons exemplos de Roseta, porque “o material está muito danificado” mas pessoal ligado ao BE já iniciou a remoção de cartazes e, segundo as previsões, “na próxima quarta--feira” finalizam os trabalhos.
Da parte da campanha de Telmo Correia (CDS-PP), a operação de limpeza já começou. Porém, o processo só ficará concluído “no fim da semana”. O mesmo acontece com Ruben de Carvalho, CDU, cuja remoção – iniciada segunda-feira, “só deverá terminar sexta-feira”. Fernando Negrão é o único que ainda não arrancou com os trabalhos de limpeza. Fonte da campanha do PSD diz que “estes irão começar o mais rápido possível”, sem avançar datas.
Visto assim, esta promete ser uma campanha limpa. A Câmara de Lisboa espera que assim seja. Afinal, esta é uma questão que, segundo fonte da autarquia “dá sempre confusão”. “Há sempre alguma dificuldade em vermo-nos livres de certos cartazes”.
CML DÁ PRAZO DE CINCO DIAS
A Câmara Municipal de Lisboa dá um prazo de cinco dias úteis aos partidos e movimentos para removeram todo o material de campanha política, caso contrário “a própria autarquia tem legitimidade para retirá-los”, sendo que, posteriormente, “apresenta os custos desse serviço aos respectivos responsáveis”, de acordo com informação da Direcção Municipal Ambiente Urbano.
Godinho Matos da Comissão Nacional de Eleições (CNE) tem outra versão. “A propaganda política não tem um prazo legal” para ser removida. “Esta é absolutamente livre e, por isso, pode ficar exposta por tempo ilimitado”, afirma. Para tal, segundo diz, os partidos e movimentos políticos apenas têm que garantir o bom estado dos outdoors a nível de conservação e de segurança para os cidadãos. Caso contrário, a Câmara de Lisboa poderá removê--los. “Primeiro, a autarquia tem que interpelar o ‘dono’. Se mesmo assim este nada fizer, a Câmara pode então actuar, só precisa ter um fundamento: ou poluição visual, pela degradação, ou falta de segurança comprovada”, explica.
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