Soares agredido

Mário Soares foi ontem agredido e alvo de insultos por um ex-combatente do Ultramar, durante uma acção de rua em Barcelos. Depois de serenados os ânimos, o candidato presidencial desvalorizou o incidente, sublinhando que se trata de “um atrasado mental”. Mas a Associação Portuguesa de Veteranos de Guerra não perdoa o acto e vai avançar com um processo disciplinar tendente à expulsão do agressor.
12.12.05
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Soares agredido
Faltavam cerca de 15 minutos para as 17h00, quando Augusto Rodrigues da Silva interpelou Mário Soares, que caminhava junto à Capela do Senhor da Cruz. Depois dos primeiros insultos, o agressor atirou o jornal para Soares e pouco depois ‘lançou’ vários soco Foto Imagem SIC
“Ó Vigarista”, começou por gritar Augusto Rodrigues da Silva, que tem 65 anos e combateu em Angola, exercendo na actualidade serviços na Misericórdia de Barcelos. Quando se dirigiu a Soares, tinha na cabeça uma boina militar e na mão a edição da semana passada do jornal ‘O crime’.
“Vai assaltar o Banco de Portugal para comprar armas para dar aos ‘turras’ para atacarem o Ultramar”, desafiou o ex-combatente, atirando o jornal na direcção de Soares, que se encontrava junto à Capela do Senhor da Cruz. “Leva [o jornal], que é para leres: 40 mil contos pagos a soldados para tomar conta dos teus prédios. És um vigarista”, reafirmou, perdendo então o controlo e iniciando uma série de tentativas de agressão a Soares, que tentou defender-se mas acabou por ser atingido com um murro no braço direito.
Os apoiantes de Soares conseguiram separar os dois e optaram por minimizar o incidente, prosseguindo de imediato a acção de campanha. Soares desvalorizou igualmente a agressão, dizendo que se tratava de “um atrasado mental”.
“Se fosse uma pessoa consciente, punha-lhe uma acção em Tribunal”, ressalvou Soares, no final de uma jornada de campanha que considerou marcar “um ponto de viragem para o arranque de uma candidatura vitoriosa”.
CANDIDATOS LAMENTAM
Cavaco Silva, Manuel Alegre e Jerónimo de Sousa condenaram ontem a agressão de que foi alvo Mário Soares por parte de um ex-combatente em plena acção de campanha em Barcelos. “Se vamos por aí, quem perde não é Mário Soares, é a democracia”, sublinhou Jerónimo.
Os adversários de Mário Soares não foram os únicos a repudiar o incidente, também a Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra (APVG), da qual é sócio o agressor, lamentou e condenou o sucedido e avançou que será levado a cabo um processo disciplinar que poderá levar à sua expulsão da associação.
MARINHA GRANDE VERSÃO 2
As agressões em plena acção de campanha já não são novidade para Mário Soares. A primeira teve lugar a 14 de Janeiro de 1986, quando este disputava a segunda volta com Freitas do Amaral.
O ex-Presidente da República passeava pelas ruas da Marinha Grande, então um bastião do PCP, quando foi surpreendido por um indivíduo que o insultou e agrediu com uma chapada na cara.
Apesar do incidente, Mário Soares não desistiu e continuou a visita, tendo ganho as eleições um mês mais tarde.

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