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Correio da Manhã

Política
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Soares: Primeiros anos do Governo "não podiam ser piores"

Antigo Chefe de Estado refere que "toda a gente está furiosa em Portugal".
10 de Junho de 2013 às 15:06

O antigo presidente da República Mário Soares classificou esta segunda-feira como "um disparate completo" a intenção do primeiro-ministro, Passos Coelho, de se recandidatar e considerou que os dois primeiros anos do atual Executivo "não podiam ser piores".

Em declarações aos jornalistas, após uma reunião com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, Soares não poupou nas críticas, tanto ao Governo como ao Presidente da República.

Num balanço dos primeiros dois anos de Governo de Passos Coelho, o ex-presidente socialista considerou que "foram péssimos".

"Não podiam ser piores, para Portugal inteiro. Porque Portugal está arruinado, o nosso património está a ser vendido a retalho, as universidades estão sem dinheiro, os professores estão furiosos, os militares estão furiosos. Toda a gente está furiosa em Portugal", disse.

SOARES RECORDA QUE NA ANTERIOR PASSAGEM DA TROIKA POR PORTUGAL TUDO SE RESOLVEU "NUM ANO"

Mário Soares recordou ainda quando era primeiro-ministro de Portugal também teve "um país endividado" e resolveu o problema "num ano" e sem que a troika falasse em público.

"A troika nunca falou senão comigo e com o ministro das Finanças. Resolvemos num ano, pagámos tudo, recebemos tudo", disse o ex-Presidente.

Aos jornalistas, Soares afirmou que "a troika fala demais, mas o pior é a subserviência do Governo português à troika. Isso é que é insuportável".

Questionado sobre as vaias ao Presidente da República, Cavaco Silva, esta manhã em Elvas, Soares lembrou que o Chefe de Estado "baixa todos os dias nas sondagens, está cada vez mais impopular e tem de tomar uma posição sobre isso".

"Ninguém pode admitir que um Governo que não se entende entre si e que está a destruir Portugal, a classe média e tudo o resto e tem milhares e milhares de desempregados continue", declarou.

"CRISE VAI ACABAR"

Sobre as declarações do presidente francês, o também socialista François Hollande, que afirmou no domingo, em Tóquio, que a crise na Europa acabou, Soares mostrou-se otimista: "Vai acabar, sim".

"A crise está a acabar na medida em que a Alemanha percebeu que vai ficar também em crise se não mudar a austeridade", disse o ex-Presidente da República, recordando que estando a Europa em crise, a Alemanha não consegue manter os níveis de exportações.

Na sua segunda visita oficial a Portugal, que coincide com o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a presidente brasileira estará na cerimónia de entrega do Prémio Camões a Mia Couto, no Palácio de Queluz.

Depois da cerimónia, Dilma Rousseff participará num jantar oferecido pelo Presidente Cavaco Silva antes de seguir, ao fim da noite, de regresso ao Brasil.

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