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Correio da Manhã

Política
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Sócrates acusa PSD de interferência

O líder socialista apontou ontem baterias à oposição. Num discurso perante a Comissão Nacional do seu partido, José Sócrates explorou o que classificou de “instabilidade” nas oposições por contraste ao PS, que é a “referência de estabilidade em Portugal”. Esta última frase não é do primeiro-ministro, mas antes do seu porta-voz, Vitalino Canas. Contudo, sintetiza os argumentos utilizados pelo secretário-geral para reafirmar a coesão e unidade do partido.
27 de Novembro de 2006 às 00:00
José Sócrates discursou contra a oposição, considerando que o PS é um referencial da estabilidade
José Sócrates discursou contra a oposição, considerando que o PS é um referencial da estabilidade FOTO: Manuel de Almeida, Lusa
Segundo informações recolhidas pelo CM, José Sócrates disparou em todos os sentidos. Primeiro no PSD, pela sua “interferência” nas nomeações da Câmara de Lisboa com duras críticas ao processo do fim da coligação PSD/CDS. Depois no PCP, recordando que os mandatos de deputados “não são do Comité Central”, numa alusão à polémica tentativa de substituição da parlamentar Luísa Mesquita e, por fim, no CDS, partido onde, segundo o líder socialista, se evidencia uma crise interna recorrente.
Sócrates considerou que “ficava mal” ao líder do PSD, Marques Mendes, contestar as políticas do Governo, fazendo um diagnóstico crítico do País no Brasil. Depois, sublinhou que o fim da coligação em Lisboa resultou “de uma disputa de lugares” que fragiliza os sociais-democratas.
Mais tarde, Vitalino Canas atribuiu à “direcção do PSD” o ónus da interferência na coligação autárquica, ironizando ainda que no PCP “o mandato do deputado pertence ao partido e não ao deputado, o que contraria a Constituição”. Já o CDS-PP “não consegue entender-se com a direcção da bancada sobre a data das jornadas, o que é totalmente ridículo”, afirmou Vitalino.
Retrato feito, Sócrates insistiu nas reformas do Governo e Canas considerou mesmo que não há alternativas.
Nesse sentido, e no decurso da reunião, Sócrates lembrou, por exemplo, o estatuto de carreira docente e mostrou-se empenhado na formação das “gerações futuras”.
Realçando que houve “40 por cento de renovação nas listas” e nenhum voto contra para a eleição da Comissão Política – com 65 efectivos – e do Secretariado Nacional, a direcção do partido fez um balanço muito positivo do congresso: “ No PS há autocrítica, mas também apoio e concentração nas políticas do Governo.”
Da Comissão Política Nacional ficaram de fora vários presidentes de federação, mas José Sócrates estabeleceu um acordo prévio ao congresso onde definiu que quem não fosse incluído “seria convocado para as reuniões daquele organismo. Das federações estreiam-se Renato Sampaio (Porto), António Rodrigues(Santarém), João Pedrosa (Leiria), Afonso Candal (Aveiro) e Joaquim Morão (Castelo Branco).
JORGE COELHO MANTÉM-SE NA COMISSÃO
Jorge Coelho pediu para sair do secretario nacional logo após as eleições autárquicas, renunciou ao mandato de deputado, saiu da coordenação da Comissão Permanente – entretanto extinta – mas José Sócrates manteve o seu nome quer na Comissão Nacional, quer na Comissão Política Nacional, ontem eleita em Lisboa.
Augusto Santos Silva é mesmo a única novidade no secretariado nacional do PS, substituindo Jorge Coelho no chamado ‘núcleo duro’ do secretário-geral.
Ficaram de fora da Comissão Política Manuel Alegre e Helena Roseta – como já era esperado – António Reis, António Campos, Alberto Souto, Medeiros Ferreira, Ângela Pinto Correia, entre outros.
JOÃO SOARES E SEGURO SÃO NOVIDADES
António José Seguro e João Soares passaram a integrar ontem a Comissão Nacional do PS por opção do líder do partido, José Sócrates. O autarca de Sintra, que disputou a liderança com o actual líder, teria já um acordo firmado com o próprio para entrar na Comissão Nacional e na Política.
Entram também os secretários Fernando Rocha Andrade e Pedro Marques. Alzira Serrasqueiro, governadora civil (mulher de Fernando Serrasqueiro), é outra das novidades, que totalizam 14 estreias.
OS MEMBROS DO SECRETARIADO NACIONAL, ÓRGÃO EXECUTIVO DE CONFIANÇA POLÍTICA DO SECRETÁRIO-GERAL
Ana P. Vitorino (Secret. de Estado): Renova mandato no órgão executivo
António Costa (Ministro): Escolha incontornável de José Sócrates
Augusto S. Silva (Ministro): A única novidade no elenco de Sócrates
Carlos Lage (CCDR-Norte): Repete presença no ‘núcleo duro’
Edite Estrela (Eurodeputada): Sócrates renovou mandato à parlamentar
Idália Moniz (Secret. de Estado): O líder voltou a chamar a governante
José Lello (Deputado): ‘Socrático’ indefectível que se mantém
Luís Amado (Ministro): Outra escolha incontornável para a equipa
M. Perestrelo (Deputado): Tido como próximo de Costa mantém-se
Silva Pereira (Ministro): Líder não podia dispensar braço-direito
Vieira da Silva (Ministro): É a quota da esquerda do PS no elenco
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