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Correio da Manhã

Política
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Sócrates ataca Santana

O líder do PS aproveitou o encerramento do debate sobre o Orçamento do Estado para concentrar os holofotes da crítica num “único culpado” da actual crise política: “Haverá quem veja no dr. Santana Lopes qualidades várias. Mas duvido que alguém, depois destes quatro meses, possa dizer que o dr. Santana Lopes é um bom governante e que foi um bom primeiro-ministro.”
7 de Dezembro de 2004 às 00:00
Com estas palavras, José Sócrates deixa perceber que o PS definiu, para as próximas legislativas, uma estratégia política que passa pela preocupação central de descredibilizar Santana Lopes aos olhos dos portugueses. O secretário--geral do PS começara por salientar que, “depois do enorme fracasso da política económica e social do primeiro-ministro Durão Barroso, tivemos agora um ciclo da irresponsabilidade, da leviandade e da incompetência que é só vossa [da maioria PSD/CDS-PP]”.
Sócrates deu ainda mais sinais de quais irão ser os trunfos eleitorais do PS. Para que os portugueses não pensem que “o primeiro-ministro é a vítima desta crise política”, o líder socialista recorre aos factos que marcam a acção do Governo da maioria PSD/CDS-PP.
E os factos mostram, por exemplo, que “nestes 32 meses Portugal empobreceu relativamente à Europa, o desemprego cresceu de 4,2 por cento para 6,8 por cento, o investimento caiu dramaticamente, a economia portuguesa andou para trás três anos e a dívida pública passou de 55 por cento para 62 por cento do Produto Interno Bruto”. Resultado: “esta governação foi um fracasso total”, concluiu José Sócrates. Para precisar ainda mais que “também não deixa de ser verdade que nestes últimos quatro meses o fracasso se transformou em desastre”.
Com base neste discurso, é inevitável que a governação de Santana Lopes seja o alvo principal das críticas dos socialistas nas próximas legislativas. Até porque, como frisou José Sócrates, “este Governo teve todas as condições para governar”, “teve tudo e tudo desperdiçou”. E como o Orçamento do Estado para 2005, “é um orçamento sem credibilidade”, um documento “concebido como peça da propaganda”, o líder do PS considera que “é tempo de Portugal ter uma estratégia de médio prazo para o seu futuro”.
Essa estratégia, segundo o secretário-geral do PS, deve permitir “restaurar a esperança” dos portugueses. Para isso, é preciso pôr “de novo Portugal a crescer acima da média europeia” e fazer do “investimento no conhecimento, na inovação e na tecnologia a sua principal aposta”, explicou José Sócrates. O líder do PS quer recolocar na “agenda política o combate às desigualdades sociais, o combate à pobreza e o combate às assimetrias regionais tão esquecido nos últimos anos”.
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