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Correio da Manhã

Política
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Sócrates e Salgado decidiram destino da PT

Ex-chefe do governo pressionou para que espanhóis subissem proposta para aquisição da Vivo.
Débora Carvalho 5 de Agosto de 2017 às 01:30
José Sócrates
Ricardo Salgado
José Sócrates
Ricardo Salgado
José Sócrates
Ricardo Salgado
José Sócrates
Ricardo Salgado
José Sócrates
Ricardo Salgado
José Sócrates
Ricardo Salgado
José Sócrates
Ricardo Salgado
José Sócrates
Ricardo Salgado
José Sócrates
Ricardo Salgado
Rafael Mora, antigo administrador da Ongoing e da PT, confirmou aos investigadores da Operação Marquês que o negócio da PT com a Telefónica para a venda da operadora brasileira Vivo foi decidido entre o antigo banqueiro, Ricardo Salgado e o ex-chefe de governo, José Sócrates.

Mora, ouvido como testemunha no Marquês, revelou que depois de uma reunião com Sócrates, Salgado deu instruções a Amílcar Morais Pires, então seu braço direito no BES, para que este votasse contra a venda da participação da Vivo aos espanhóis. Morais Pires terá recusado porque já tinha transmitido à Telefónica que aceitava a proposta. Ao procurador Rosário Teixeira, o antigo administrador da Ongoing e da PT afirmou que Sócrates terá ficado desagradado com a possibilidade da venda por 7,1 mil milhões, tendo ameaçado com um veto via ‘golden share’.

Os negócios da venda da participação na brasileira Vivo estão a ser passados a pente fino no âmbito da Operação Marquês. Salgado é suspeito de ter corrompido Sócrates para obter decisões favoráveis para o GES/BES. O Ministério Público quer apurar o envolvimento de ex-governantes, acionistas e gestores no negócio que acabou por ser fechado por 7,5 mil milhões de euros.
 
Rafael Mora também explicou aos magistrados, no interrogatório a 1 de março deste ano, que Henrique Granadeiro, ex-líder da PT, se reuniu com ele para lhe dizer que tinha indicação de que o Estado poderia levantar o veto, uma vez que se confirmava a possibilidade de realizar um investimento no Brasil, na operadora Oi.

Contudo, havia uma condição: Sócrates pretendia que a Telefónica subisse a proposta para que pudesse reivindicar uma consequência positiva para o uso da ‘golden share’. A compra da Oi pela PT revelou-se um negócio ruinoso, e foi o princípio do fim da operadora portuguesa que acabou por ser vendida à Altice.

Pormenores
25,2 M €
foi quanto o antigo presidente executivo da PT, Zeinal Bava, recebeu da ES Enterprise, o saco azul do GES, dos quais já devolveu 18,5 milhões. Bava diz que se tratou de um empréstimo e está disposto a devolver tudo.

32 arguidos
O processo da Operação Marquês já tem 32 arguidos, entre pessoas singulares e empresas. Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo, é um dos arguidos, sendo também arguido no caso Monte Branco, um dos maiores esquemas de fuga fiscal em Portugal.
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